Mais de 60% das crianças e jovens vítimas de exploração sexual já pensaram em suicídio, revela estudo
outubro 8, 2009 por debora
Arquivado em exploração, geral, notícias
Cerca de 61% das crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual no Brasil já pensaram em suicídio. Destes, mais de 58% já tentaram de fato praticá-lo. Entre os motivos apresentados, 20% relacionaram a vontade de morrer à violência sexual. É o que revela uma pesquisa inédita sobre o perfil de meninos e meninas explorados que estão em instituição de atendimento.
Perfil da exploração
sexual infantil no Brasil
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61% das vítimas já pensaram em suicídio e 58% tentaram de fato30% das meninas já ficaram grávidas pelo menos 1 vez
65% usam o dinheiro do abuso para comprar bens de consumo
88% mora com a família, mas mais de 70% não mora com o pai
- Fonte: WCF-Brasil (Childhood)
Os dados foram encomendados pela World Childhood Foundation (WCF) no Brasil, entidade internacional que trabalha no combate à exploração sexual. Foram ouvidas 66 meninas e 3 meninos entre 10 e 19 anos de oito Estados (Pará, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia, São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul), que foram vítimas de exploração sexual e hoje são atendidas por instituições especializadas.
“O índice de crianças e jovens que já pensaram em suicídio nos chamou muito a atenção. É muito grave. Ele reforça a existência de uma situação de exploração e abuso, que provoca angústia e o sentimento de ‘falta de sentido para viver’, por isso precisa ser aprofundado”, disse a coordenadora de programas da Childhood, Anna Flora Werneck.
Segundo ela, pesquisas anteriores apontaram que 6% dos jovens em situação de risco no Brasil apresentavam esse comportamento. O percentual obtido neste levantamento é, portanto, dez vezes maior.
O relatório mostra ainda que o abuso leva também a outras situações traumáticas, como a gravidez indesejada, o aborto e o abandono dos filhos. Três em cada dez meninas vítimas de exploração sexual já ficaram grávidas pelo menos uma vez na vida, sendo que 17% delas perderam os filhos por abortos naturais (6%) ou provocados (11%). Das que levaram a gravidez adiante, apenas 5,8% vivem com seus filhos hoje.
Violência sexual e consumo
Outro dado que chama a atenção é o de que muitas das vítimas não estão em situação de miséria a ponto de trocar sexo por comida. A pesquisa aponta uma clara relação entre a manutenção da exploração e o benefício econômico declarado pelas vítimas.
O que faz com o dinheiro
| Compra objetos | 65,00% |
| Sustenta-se | 39,50% |
| Compra drogas | 30,20% |
| Ajuda a família | 25,00% |
| Dá para alguém | 5,60% |
| Sustenta a família | 2,50% |
Dos entrevistados, 40% dizem que usam o dinheiro recebido no abuso para autossustento, mas 65% relatam que gastam comprando objetos pessoais, como celulares e roupas de marca.
“Não podemos generalizar, mas constatamos histórias de vida semelhantes em todos os Estados. Temos que questionar que sociedade de consumo é essa que leva a esse tipo de comportamento, que leva as crianças a venderem o corpo para conseguir esse dinheiro”, avaliou Werneck.
Para 30% das vítimas, o dinheiro obtido com o sexo é usado para comprar drogas, especialmente álcool (88%) e cigarro (63%) — substâncias lícitas no Brasil, mas proibidas para menores de 18 anos. Maconha (32%), inalantes (32%), como loló e cola, e remédios (23%) também aparecem como as drogas mais procuradas por crianças e jovens.
Diante da “fissura” por consumir droga, 42% das vítimas disseram que “transam” ou fizeram sexo oral para conseguir dinheiro, ressalta Werneck.
Tipo de violência sofrida
| Conversar sobre sexo | 74,20% |
| Mexer com o corpo | 50,70% |
| Pedir para ser tocado | 43,10% |
| Forçar o sexo | 22,40% |
| Fazer fotos sensuais | 20,30% |
| Forçar ver filme erótico | 12,30% |
De acordo com o relatório, o valor médio recebido pelas relações é de R$ 37, mas varia entre R$ 10 e R$ 150. O pagamento acontece na forma de dinheiro em 82% dos casos, mas ele também pode ser feito na forma de presentes (26%) ou favores (14%).
Vale ressaltar que, além da relação sexual, a violência contra crianças e adolescentes acontece mais comumente na forma de conversas sobre sexo (74,2%), manipulação de partes íntimas do corpo da criança/adolescente (50,7%) e pedidos para ser tocado (43,1%).
Família desestruturada
A coordenadora ressalta que a falta de uma família estruturada, onde é evidente a ausência da figura do pai, e o abandono da escola estão entre os principais fatores para que as vítimas continuem sendo exploradas sexualmente.
Mais de 88% dos entrevistados moram com a família, apesar de frequentarem as instituições e mesmo tendo relatado história de abuso dentro da família ou envolvimento dos parentes na manutenção da situação de exploração. Mas 20% não moram com a mãe e mais de 70% não moram com o pai.
De acordo com o relatório, nota-se em geral uma família abusadora e conivente, mas que não recebe nenhum tipo de assistência.
“Quanto mais cedo as crianças começam a ter uma vida sexual, e em grande parte das vezes isso acontece em forma de abuso sexual, mais chances elas têm de permanecer na situação de exploração. Então, a escola tem papel fundamental. Quem se manteve na escola conseguiu sair da situação de exploração mais rapidamente. Ou seja, é preciso investir nisso”, disse Werneck.
“Além disso, percebemos também que as instituições especializadas tem falhado e não conseguem atuar sozinhas. É preciso atuar em rede, com as escolas e os postos de saúde, por exemplo, e envolver a família”, completou.
Outro dado que a pesquisa destaca é o alto percentual de abuso cometido por colegas, amigos da família e namorados, que normalmente acontece em motéis (45,7%), em casa (24,4%), na rua (20,5%), em bar ou bordel (17,8%) e também em posto de combustível (10,9%).
Mais da metade das meninas acaba em situação de exploração sexual por influência de amigas (52%) ou de cafetões (38%).
Fonte: UOL
Caso de Jaycee Dugard
agosto 29, 2009 por Stefanie Loureiro
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Nessa quarta-feira, nos Estados Unidos, um casal, Sr. e Sra. Garrido, foram presos pelo sequestro de Jaycee Dugard.
Jaycee foi s
equestrada aos 11 anos quando ela estava prestes a entrar no ônibus escolar perto de sua casa em Salt Lake Tahoe, California. Por 18 anos ela viveu em cativeiro, e teve duas filhas, uma de 11 e outra de 15 anos, com o sequestrador, Phillip Garrido. Sendo que em novembro de 2006, uma vizinha ligou para o número de emergência americano, dizendo que havia tendas no quintal do casal Garrido e que parecia haver pessoas morando lá, inclusive crianças pequenas. Outra vizinha, Erika Pratt, disse que o Sr. Garrido sempre teve um comportamente estranho. Ela tentou chamar as autoridades, mas nada foi feito.
Garrido foi acusado por estupro, por molestar e violar menor de idade. Ele foi preso nessa quarta feira. O caso começou a ser desvendado na terça-feira, quando Garrido tentou entrar no campus de Berkeley da Universidade da Califórnia com as duas meninas para distribuir panfletos religiosos. Um guarda do campus achou suspeita a forma de interação dele com as duas meninas, e por isso investigou o histórico. Por causa de sua condenação como pedófilo, Garrido estava proibido de estar na presença de menores e deveria se reportar a um responsável pelo monitoramento de sua liberdade condicional. Ele havia cumprido pena por abuso sexual, deixando a prisão em 1999. E agora está respondendo pelo caso de Jaycee Dugard.
Segundo o delegado de El Dorado County, onde South Lake Tahoe está localizado, disse que as filhas de de Jaycee nunca foram à escola e também nunca foram ao médico.
Segundo o prórprio Phillip Garrido, ele diz se arrepender e que “no começo eu fiz algo nojento” e diz também ter mudado “depois de se tornado pai”.
Jaycee, hoje com 29 anos, já se reencontrou com a sua mãe, Terry Probyn. Terry disse que o estado de sua filha é bom.
Fonte: The New York Times
Polícia prende três mulheres por explorar crianças no centro do Rio
agosto 10, 2009 por debora
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Três mulheres de 24, 28 e 54 anos foram presas por exploração de crianças e adolescentes na madrugada de sábado (8), na região da Lapa, centro do Rio de Janeiro. Segundo informação da Polícia Civil, elas obrigavam as crianças a vender balas e doces na região durante a madrugada.
Foram recolhidas da rua 12 crianças, algumas moradoras de outros municípios. Elas foram levadas ao Conselho Tutelar e encaminhadas a abrigos.
As três mulheres foram liberadas após assinar um termo de compromisso e terão de se apresentar à Justiça quando forem chamadas. As prisões foram feitas durante ação da Delegacia da Criança e do Adolescente da Polícia Civil e contou com o apoio de agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio.
As exploradoras foram autuadas no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente, segundo o qual é crime submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento. A pena prevista é de seis meses a dois anos de cadeia.
Fonte: Uol Notícias
















