Meditação

julho 22, 2009 por aurea  
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Diferentemente do que se compreende no Oriente, aqui no Ocidente, o significado da palavra meditar remete a pensar, refletir sobre algo. Por exemplo: “vou meditar sobre esse assunto.”

Porém, na realidade, o sentido de meditar é exatamente o contrário, ou seja, parar de pensar, acalmar a mente, deixando-a livre de preocupações ou qualquer atividade.

É bastante comum, quando se fala em meditar, que as pessoas digam que não conseguem porque acham impossível ficar paradas e muito menos sem pensar em nada. Certamente, dentro da nossa cultura, esse tipo de coisa pode parecer utopia, dado o ritmo que estamos acostumados a viver. Porém, não precisamos ser radicais a ponto de querermos chegar à perfeição num tipo de prática que foge completamente do modo de ser do ocidental.

Começando pela reação mais natural de dizer “eu não consigo…”, isso já é bloqueador o suficiente para inibir qualquer iniciativa. Aliás, quando dizemos essa frase, estamos enviando ao nosso cérebro uma mensagem, como um atestado, de incapacidade. Com o passar do tempo, essa fala vai se tornando numa crença limitante e comprometendo o desenvolvimento da pessoa. Portanto, para começar qualquer atividade, por mais difícil que possa parecer, é necessário revermos as nossas crenças - o que, de fato, é impossível? Quantas vezes não nos saímos bem em situações teoricamente impossíveis de se resolver? O segredo está na vontade, na determinação.

Mas, enfim, por que meditar? Para que serve essa prática?

Até algum tempo atrás, meditar era algo só para monges, em mosteiros, ou coisa parecida. Com o passar do tempo, essa prática foi se difundindo também no Ocidente, devido à comprovação científica de seus efeitos sobre a saúde.

Quando somos expostos a situações de pressão, independentemente do grau de risco envolvido (nosso cérebro não sabe distinguir a diferença entre um leão ou o nosso chefe com expressão de bravo diante de nós), o nosso corpo reage de forma instantânea para nos proteger.

Aliás, o corpo humano é uma perfeição em termos de sistemas de defesa, atuando inteligentemente como uma orquestra sinfônica para nos resguardar. Em fração de segundos, frente ao perigo, muitas reações acontecem, como: nossas pupilas se dilatam para enxergarmos melhor; os pelos se eriçam (como nos animais, para parecermos maiores); os batimentos cardíacos se aceleram para levar sangue mais rapidamente por todo o corpo; o fígado disponibiliza mais açúcar para que tenhamos mais energia para a ação; as atividades gastrointestinais são interrompidas para que a energia seja direcionada para a prioridade maior; nosso sangue torna-se mais favorável à coagulação para uma eventual necessidade de cicatrização; etc. Todo esse arsenal é disparado a partir de um sinal vindo do Sistema Nervoso Simpático, que aciona a liberação de vários hormônios (os hormônios do estresse: adrenalina e cortisol, entre outros), colocando-nos em condições de lutar ou fugir, dependendo da análise que façamos das circunstâncias.

Passado o perigo, entra em cena o Sistema Nervoso Parassimpático, que “desliga o alarme”, colocando a casa em ordem novamente, ou seja, voltando ao estado normal.

O mais preocupante nos dias de hoje é a frequência com que somos expostos à pressão, tornando cada vez mais curto o espaço de tempo entre o período de alarme e o de repouso. Quando isso acontece, o efeito da frequente presença dos hormônios do estresse em nosso organismo começa a prejudicar alguns órgãos que sofrem com isso. A utilização excessiva de qualquer sistema naturalmente o desgasta e pode trazer sérios prejuízos.

Por isso, o estresse é tido hoje como o grande causador de doenças, pois torna o nosso corpo fragilizado e vulnerável.

Aí é que entra a importância da meditação, pois o estado meditativo atua diretamente na reorganização do organismo, limpando-o literalmente dos resíduos resultantes do estresse. Não há contra-indicação, efeitos colaterais e nem custos para se alcançar este estado. É tudo muito simples.

Inicialmente é natural a dificuldade em acalmar a mente, porém, com um pouquinho de paciência e gentileza consigo mesmo, chegaremos neste ponto e poderemos usufruir dos benefícios já comprovados em pesquisas em grandes universidades de todo o mundo.

Veja o artigo “Como meditar”, que explica passo-a-passo como chegar a esse estado.

Por Aurea Magalhães

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A experiência maior da Meditação

julho 21, 2009 por aurea  
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Como já afirmei nos textos anteriores, meditar é algo muito simples de se fazer. Na realidade é uma prática que requer disciplina e constância para se alcançar os benefícios que pode trazer.

Dia após dia tendemos a melhorar na qualidade do ato de nos desligar do nosso ego e das vaidades, rumo à paz interior.

Eventualmente, dependendo do momento que estamos atravessando ou de algum evento especial que tenhamos experimentado, poderemos sentir um pequeno retrocesso. Muitas vezes a ansiedade gerada por algo que está por se resolver, ou um episódio de maior estresse, afetam sobremaneira a nossa concentração e interferem no ato de meditar. Porém, nada disso deve nos tirar da caminhada. É preciso ser gentil consigo mesmo, dando um desconto a esse tipo de situação, afinal de contas, somos de carne e osso…

Essa caminhada é um exercício de e uma busca pela essência da vida, do verdadeiro porquê de nossa existência. É algo maior, que não se deve procrastinar por questões banais e prosaicas.

Meditar é vasculhar o nosso interior em busca da centelha divina, a chama que nos mantém vivos. E, por mais simples que seja o ato de meditar, paradoxalmente, não há nada mais complexo de se descrever do que o encontro consigo mesmo. Inúmeros praticantes já tentaram descrever essa experiência e o termo que mais se utiliza é a palavra “indescritível“…

É algo parecido com sentir-se um pedacinho do universo e ser exatamente do mesmo tamanho que o universo. Talvez uma das melhores definições seja a do sábio Kabir, que diz:

“Todos sabem que a gota se mistura com o oceano, mas poucos sabem que o oceano se mistura à gota.”

Como pode a mente humana conceber a idéia de que entramos no vácuo, mas também somos o vácuo e estamos olhando para ele, tudo ao mesmo tempo?
A magia desse processo está em nos sentirmos na palma da mão de Deus e, ao mesmo tempo, sermos parte Dele. O êxtase envolve a alma, trazendo paz e a sensação de que não temos um ego, de que não somos nada, mas compomos o Todo.

Muitas pessoas se perdem pela vida porque buscam esta experiência nas drogas, no álcool ou outros vícios. E é incrível perceber como perdemos tempo e energia buscando isso fora, nos prazeres e paixões que facilmente nos seduzem, quando o verdadeiro presente está dentro de nós mesmos.

Nós nos perdemos em recordações do passado e preocupações com o futuro. Negligenciamos o momento presente (não é por acaso que tem esse nome - presente) e mantemos nossos olhos voltados para o exterior, para a matéria, para a vaidade, para a auto-afirmação e tantas outras futilidades. Esquecemos que somos um espírito passando por uma experiência terrena, e não o contrário.

Como já dizia Antoine de Saint-Exupèry: “O essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração.”

Fechar os olhos e silenciar a mente é o passo inicial do autoconhecimento. Cessar a crítica e o julgamento sobre as ações do outro e direcionarmos esta energia para o nosso aprimoramento, despojando-nos do orgulho e do medo de nos olharmos no espelho pode ser um tanto doloroso, porém é o preço do crescimento espiritual.

Por Aurea Magalhães

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Como meditar

julho 18, 2009 por alma_branca  
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Ainda que possa parecer complexo, meditar é algo muito simples. O grande objetivo é acalmar a mente para se manter em equilíbrio e conseguir conviver melhor com as situações de estresse do dia-a-dia e, por conseguinte, ter mais saúde.

Passos:

1. O local - procure um local calmo, seguro, de preferência em sua casa, num horário que haja menor possibilidade de interferências (desligue o celular, tire o telefone do gancho, pendure um aviso na porta do quarto pedindo para não ser interrompido). Naturalmente não há como se controlar os ruídos externos, portanto, devemos desconsiderá-los. Aliás, o mais desafiador é o ruído interno - dos pensamentos - que exigirá mais de nós. De preferência, não utilize músicas nem mantras, pois há uma tendência natural de ficarmos acompanhando a melodia, o que é uma atividade mental que nos desconcentrará, impedindo de meditar de fato.

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2. Postura - sentado, confortavelmente, com a coluna ereta. Caso não seja possível a tradicional posição de lótus (pernas cruzadas, como um índio) pode ser com  as pernas esticadas, ou sentado numa poltrona ou cadeira. Basta garantir que a posição seja confortável. Deitado não é aconselhável, pois a probabilidade de pegar no sono aumenta - e isso não é meditar. Os olhos devem permanecer fechados e as mãos repousando sobre o colo, com as palmas para cima. Se surgir algum desconforto do tipo vontade de tossir, coçar o braço ou algo parecido, basta agir com naturalidade para eliminar o desconforto, pois do contrário isso nos desviará a atenção.

3. Respiração - inicialmente a respiração deve ser profunda (diafragmática) de forma que ao inspirar o ar vá até a parte mais profunda do pulmão, empurrando a barriga para frente. Esse tipo de respiração é a mais indicada para acalmar, pois oxigena mais o cérebro (é o que devemos fazer quando nos encontramos sob grande pressão, para que a razão fale mais alto que a emoção). Depois de ter respirado de 3 a 4 vezes profundamente, deve-se deixar de controlar o processo, para que o ar entre e saia naturalmente, sempre pelo nariz. A tendência é que, aos poucos, a respiração vá ficando mais curta, até que chegará um momento em que inspiramos uma quantidade mínima - o suficiente para nos mantermos bem (é nesse momento que entramos no estado meditativo).

4. Os pensamentos - é natural que tenhamos dificuldade para acalmar o fluxo de pensamentos, pois não fomos treinados para isso e estamos acostumados a viver num ritmo muito acelerado, com muita agitação. Precisamos ser gentis conosco, não entrando em sofrimento por isso. A forma mais indicada para controlar a invasão de pensamentos, lembranças e preocupações é “negociar” com cada um deles. Ignorá-los não dá certo, pois eles ficarão martelando em nossa mente. Então, basta imaginar-se diante do pensamento, dizendo para ele: “Ok, sei que você é importante e preciso te dar atenção. Porém, não será agora. Este momento é só meu. Por favor, pegue esta senha e aguarde, pois mais tarde eu estarei em melhor condição para dar a atenção que você merece.” Outros pensamentos surgirão e o procedimento deverá ser o mesmo. Gradativamente as coisas vão se acalmando até que conseguimos ficar com a mente mais quieta. Caso eles insistam, volte a atenção para a respiração e não dê importância a eles. As primeiras tentativas geralmente são um pouco mais delicadas devido à falta de hábito. Porém, com determinação e disciplina, depois de algumas tentativas ficará mais fácil.

5. Sensações - isso pode variar de pessoa para pessoa. Alguns sentem formigamento nas pernas ou nos braços; outros sentem como se o corpo tivesse aumentado de tamanho; há também a sensação de se estar flutuando; visualizar luzes, cores, etc. Nada disso deve causar preocupação, pois é completamente normal. Algumas pessoas têm verdadeiros insights enquanto meditam, conseguindo muitas vezes encontrar a solução para algum problema.

6. Terminando de meditar - retornar ao estado normal deve ser feito gradativamente: tomando consciência da respiração e do próprio corpo, alongando-se e abrindo os olhos calmamente.

7. O que acontece enquanto meditamos - durante a meditação nós atingidos uma freqüência de ondas elétricas no cérebro, que corresponde a que alcançamos durante o sono profundo - que é a fase mais restauradora do sono. Por isso, meditar por 10 ou 15 minutos pode equivaler a algumas horas de sono. Desta forma, nossa necessidade de dormir acaba se reduzindo a partir do momento em que meditamos regularmente. O ideal é meditarmos pela manhã, antes do café e à noite, antes do jantar. Dois momentos não são aconselháveis: após as refeições, pois ficamos mais sonolentos e podemos dormir; e próximo à hora de dormir, já que meditar nos dá mais disposição, podendo atrapalhar o sono. Caso não seja possível meditar duas vezes por dia, certamente uma vez ajudará também.

8. Benefícios para a saúde - através de muitas pesquisas ao longo dos anos, em várias universidades de todas as partes do mundo, está comprovado o efeito da meditação para a melhoria da saúde. Dentre eles: redução da hipertensão e colesterol; diminuição da insônia; redução da ansiedade, depressão e estresse pós-traumático; melhoria da inteligência e funções cognitivas, bem como da auto-estima; aumento do nível de serotonina (substância que nos traz a sensação de bem estar) e redução da ativação do Sistema Nervoso Simpático. O reconhecimento destes efeitos é tão evidente que algumas empresas de assistência médica nos Estados Unidos concedem descontos nos planos de saúde para pessoas que meditam regularmente.

9. Sugestões:

  • Pela internet, acessando o Youtube é possível assistir a um vídeo de 5 minutos que traz mais informações sobre meditação.
  • Há um livro bastante interessante com várias referências a estudos feitos sobre a meditação e o gerenciamento do estresse. Chama-se: “Stress a seu favor”, escrito por Susan Andrews.

Por Aurea Magalhães

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