Artigo - O acesso à Sustentabilidade - 27/03/10

março 28, 2010 por aurea  
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O acesso à Sustentabilidade.

Autor: André Coimbra Felix Cardoso

Atualmente, existem diferentes ideologias que fazem da sustentabilidade um fenômeno complexo e dinâmico. Em meio a tantas definições é possível identificar dois extremos ideológicos que formam um continuum de classificações: de um lado temos o tecnocentrismo - a crença de que não há problema, pois parte-se da suposição de que a tecnologia solucionará tudo - e no outro extremo o ecocentrismo - que seria equivalente ao retorno à vida simples e natural, em uma relação simétrica entre homem e natureza. Entre os dois extremos há um continuum que permite identificar, no mínimo, quatro campos distintos: sustentabilidade muito fraca - mais próxima da visão tecnocêntrica -; sustentabilidade fraca; sustentabilidade forte e sustentabilidade muito forte - mais próxima da visão ecocêntrica (Pearce, 1993).

O “conceito” mais conhecido sobre o desenvolvimento sustentável é fruto de um relativamente longo processo histórico de reavaliação crítica da relação existente entre a sociedade civil e seu meio natural.  Alguns pontos importantes nessa discussão foram o relatório sobre os limites do crescimento, publicado em 1972; o surgimento do conceito de ecodesenvolvimento, em 1973; a declaração de Cocoyok, em 1974; o relatório da Fundação Dag-Hammarskjöld, em 1975; e, finalmente, a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992 (Van Bellen, 2005; Brüseke, 1995). O foco da sustentabilidade estava centrado principalmente na integridade ambiental, sendo a partir da definição do Relatório Brundtland que a ênfase desloca-se mais para o elemento humano, gerando um equilíbrio entre as dimensões econômica, ambiental e social. A conceituação ulterior foi elaborada a partir da World Commission on Environment and Development (WCED), trazendo consigo uma das definições mais conhecidas: o desenvolvimento sustentável é aquele desenvolvimento que “atende às necessidades das gerações presentes sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem suas próprias necessidades” (WCED, 1987).

Não obstante o relativo consenso que desfruta - o que significa um avanço para alguns - a definição acima pode ser classificada como sustentabilidade fraca, e sofre diversas críticas quando submetida a avaliações mais profundas e sérias. Além de não oferecer uma diretriz muito clara, a definição de desenvolvimento sustentável na verdade é usado como um sinônimo para crescimento, e foi elaborado de modo a não reconhecer a tese plausível de que há uma contradição fundamental entre crescimento e sustentabilidade (Daly, 1996).

Além da definição contida no Relatório Brundtland, há outras iniciativas relevantes no âmbito da esfera de nações que também visam oferecer diretrizes para a a busca da sustentabilidade. Na verdade, observa-se uma convergência de movimentos sociais dentre os mais importantes dos últimos tempos, que buscam levar a cabo esse objetivo mediante propostas, acordos, convenções e declarações de entidades intergovernamentais e multilaterais. São eles: Declaração Universal dos Direitos Humanos; Agenda 21; Protocolo de Kyoto; Declaração sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento e Carta da Terra; Objetivos e Metas do Milênio; Pacto Global; Convenções da Organização Internacional do Trabalho; Diretrizes da OCDE para as Multinacionais; e Princípios do Equador. Tais movimentos sociais sinalizam para o fato de que a sustentabilidade vem se tornando uma situação cada vez mais desejável em todo o planeta.

Entretanto, em que pese o fato de o mundo clamar cada vez mais alto pela sustentabilidade, é tipicamente um desafio colossal a ser solucionado no longo prazo, que começa com respostas eficazes no curto prazo. O alcance e a profundidade dessas respostas dependem em grande medida da cooperação mundial para se induzir mudanças nas formas atuais de produção e consumo de bens, e, sobretudo, na mentalidade - das pessoas que compõem a nossa sociedade. Disso resulta que a perspectiva de uma sociedade sustentável é um imperativo que recai sob a sociedade como um todo, o que inclui indivíduos, escolas e universidades, regras institucionais e governos, empresas e organizações de um modo geral, assim como os mercados consumidores. Pode-se dizer que os movimentos citados acima são mais do que uma simples expectativa da sociedade planetária quanto à conduta dos governos e empresas, pois expressa um anseio global pela mudança quanto à maior abrangência dos papéis - e seu comprometimento - no que tange aos diferentes atores envolvidos na problemática da sustentabilidade.

Mesmo assim, estas diretrizes ou macro-normas não se materializam no “mundo prático da vida” e das empresas sem que haja elementos catalisadores. Ou seja, infelizmente, a sustentabilidade não ocorre de maneira espontânea, ela precisa ser provocada, induzida e disciplinada. Além de uma legislação que dê conta - junto à fiscalização rigorosa - e dos mecanismos de mercado ou indutores da sustentabilidade, é preciso que criar ferramentas formais de gestão como forma de abordar com sucesso a intervenção na realidade, norteada por uma perspectiva de uma sociedade sustentável.

Nesse sentido, mormente com foco no universo prático das empresas, há mais de dez anos, iniciou-se o desenvolvimento de várias ferramentas de gestão tendo em vista a perspectiva da sustentabilidade. Do ponto de vista teórico, há muitos progressos nessa área. Alguns campos de estudo da Economia bem como da Administração têm se ocupado mais detidamente desta questão. Há hoje um amplo conjunto de ferramentas para se empreender esforços rumo à sustentabilidade. Elkington (1999: 75) cunhou o termo triple bottom line, que enfatiza duas questões centrais para a atuação orientada para a sustentabilidade: 1) a integração dos três pilares do DS; e 2) a integração dos mesmos com objetivos de curto e longo prazo. Louette (2008:77), no documento “Compêndio para a Sustentabilidade” enumera e apresenta de forma superficial uma gama de instrumentos, práticas e normas para se articular e buscar a sustentabilidade. Nesse documento, a autora argumenta que, apesar da proliferação de inúmeras iniciativas que emanam de organismos e organizações de naturezas muito diversas, as ferramentas de gestão socioambiental que contribuem e visam atender aos pilares clássicos do DS - triple bottom line - devem ser construídas de modo a estimular o engajamento de todos os stakeholders da organização: acionistas, público interno (assalariados e terceiros), clientes, fornecedores, parceiros, comunidade, meio ambiente, entre outros.

Não é nosso objetivo analisar todas estas ferramentas, mas apenas citar algumas. São elas: Ecoeficiência; Produção Mais Limpa; Educação Ambiental; Análise do Ciclo de Vida do Produto; Logística Reversa; Química Verde; Capitalismo Natural; Gestão do Relacionamento com Stakeholders; Projeto Sigma; Triple Bottom Line; Princípios para Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade (GRI); Princípios de Governança Corporativa; Abordagem de Serviço; Consumo Sustentável; Normas e Certificações Socioambientais; Ecodesign e Biomimética, etc. Enfim, essa lista não esgota aqui, pois  há muito mais iniciativas.

Não obstante o mérito de todas estas contribuições; convém destacar o papel diferenciado da abordagem “4 Condições Sistêmicas da Sustentabilidade” desenvolvida pela iniciativa do The Natural Step (TNS) junto a um grupo de cientistas, que formulou um consenso claramente articulado de princípios básicos de sustentabilidade, essenciais, e com base científica. O documento “Compêndio para a Sustentabilidade” também apresenta superficialmente esta abordagem. Mas a história de como se deu seu desenvolvimento é muito bem contada no livro The Natural Step: A História de uma Revolução Silenciosa (Karl-Henrik Robert, 2002).

No quadro abaixo estão as 4 condições sistêmicas, propostas na abordagem The Natural Step, que devem compor o núcleo central de um programa de acesso à sustentabilidade. Além dos princípios, foram incorporados alguns exemplos de modo a ilustrar o que se quer dizer. Há também os objetivos que devem ser alcançados. Enfim, o TNS trabalhou com cientistas para desenvolver um conjunto de princípios básicos, usados para ajudar a guiar as organizações no sentido da sustentabilidade.

Condição Sistêmica

Na sociedade sustentável, a natureza não é sistematicamente submetida a graus cada vez maiores de:

1

Concentrações de substâncias extraídas da crosta terrestre - Os materiais extraídos devem ser controlados para que as concentrações de metais, minerais e fumaça de combustíveis fósseis não se acumulem, provocando danos à saúde e aos ecossistemas. É necessário permitir que os ciclos naturais se renovem.

Objetivo - Eliminar nossa contribuição para os aumentos sistemáticos de concentrações de substâncias na crosta terrestre.

2

Concentrações de substâncias produzidas pela sociedade - Quando o homem produz substâncias químicas, remédios, plásticos, entre outros, precisa fazê-lo de uma maneira e em quantidades que não interfira no ciclo natural de decomposição na natureza.

Objetivo - Eliminar nossa contribuição para os aumentos sistemáticos nas concentrações de substâncias produzidas pela sociedade.

3

Degradação por meios físicos - Não se deve plantar de maneira que o solo perca seus nutrientes ou que espécies sejam extintas, assim como a abertura de estradas ou construção de edifícios não devem interferir significativamente no meio ambiente. É preciso preservar os recursos existentes.

Objetivo - Eliminar nossa contribuição para a degradação física sistemática da natureza, o que fazemos com colheitas excessivas, descarte de materiais estranhos ao local e outras formas de modificação.

4

As pessoas não são submetidas a condições que, sistematicamente, minam sua capacidade de satisfazer suas próprias necessidades além das necessidades de pessoas ao seu redor. Aqui, as pessoas são chamadas a melhorar as maneiras pelas quais se satisfazem, e as empresas são convocadas a atender aos anseios dos clientes usando o mínimo possível de recursos.

Objetivo - Contribuir ao máximo para atender às necessidades humanas em nossa sociedade e em todo o mundo e, acima de todas as substituições e medidas tomadas para atingir os três primeiros objetivos, usar todos os recursos de maneira eficaz e razoável, com responsabilidade.

Quadro 1: Condição Sistêmica do Natural Step

Fonte: Adaptado de Karl-Henrik Robert (2002)

Como ilustrado no quadro acima, os princípios ou condições sistêmicas, são gerais o suficiente para serem relevantes para todas as atividades e áreas e, ainda assim, concretos o suficiente para orientarem o pensamento e a tomada de decisão. Eles também não se sobrepõem. Acima de tudo, os responsáveis pela tomada de decisão terão uma clareza muito maior para seguirem em frente com os esforços para desmaterializar, substituir insumos, apoiar mudanças em práticas de gestão de solo e recursos naturais e integrar aspectos sociais de sustentabilidade (Waage, 2004).

Convém discutir rapidamente as razões que nos fazem identificar as 4 Condições Sistêmicas (4CS) como a abordagem mais diferenciada perante as demais iniciativas. Há quatro razões, logo a baixo, para distinguir a abordagem das 4CS como essencial e as demais como complementares. Vejamos:

- Enquanto todas as demais ferramentas se ocupam do “como”, as 4CS definem o que é, o que deve ser buscado, os princípios mínimos que devem ser respeitados para se viabilizar uma sociedade sustentável. Isto equivale a responder primeiro à “o quê é sustentabilidade” antes de “como atingi-la”. Responder primeiro à pergunta “para onde devemos ir” parece mais sensato, visto que ela é que determina o como será atingido. Já foi dito que o que não é medido não pode ser gerenciado, mas até mesmo para se medir algo - com indicadores e metas - é preciso uma referência bem clara. E só as 4CS oferecem tal clareza aos tomadores de decisão quanto à orientação ou direção a ser seguida, mercê de um planejamento estratégico de longo prazo formulado em bases de mudanças sistemáticas e gradativas, conforme a abordagem Backasting.

- Sob um ponto de vista científico sua plataforma das 4CS para uma sociedade sustentável é uma visão realista conquanto se baseia no reconhecimento de que tanto as organizações como a economia e a sociedade são subsistemas que dependem de um sistema mais amplo, denominado ecossistema. Além disso, os princípios são respaldados nas leis da termodinâmica e nos ciclos naturais, conquistas irrevogáveis do conhecimento científico.

- As 4CS não é um corpo complexo de conhecimento teórico, mas possuem as virtudes de uma estrutura de referência simples, abrangente, lógica e consistente, que servem como balizadoras das ações empresariais, e facultando diagnosticar o estado de sustentabilidade de empreendimentos.

- Finalmente, as 4CS são complementares às diversas ferramentas enumeradas acima, dando-lhes substância, conteúdo, ao passo que todas elas podem e devem ser aplicadas tendo sob a inspiração das 4CS da sustentabilidade. Desse modo, com mais segurança, as empresas estarão galgando os inúmeros degraus para se acessar a sustentabilidade. Olhando desse modo, nota-se que a intervenção e reestruturação do empreendimento poderá se desdobrar dentro de um programa de ação, inicialmente, puxado por uma sustentabilidade fraca (ex: ecoeficiência), mas será empurrado gradativamente e intensificado para uma sustentabilidade forte, expressa na visão de futuro a ser alcançada que traduz uma situação de respeito às quatro condições de uma sociedade minimamente sustentável. Tal visão compartilhada pode servir de inspiração tanto para empresas como para os governos, em seus planejamentos estratégicos, e pela sociedade inteira. Vejamos a figura abaixo, que contém um programa cujo núcleo viabiliza o acesso à sustentabilidade.

Figura 1: Acesso à sustentabilidade.

Fonte: elaborado pelo autor.

Conforme visto acima, empreendeu-se o delineamento de um programa de acesso à sustentabilidade conectando três esferas: (i) os pactos e convenções das nações, implícitos em alguns movimentos sociais de nível global que clamam cada vez mais alto pela sustentabilidade; (ii) ferramentas auxiliares que por um lado ajudam a materializar as macro-normas, e por outro, a acessar a sustentabilidade quando orientados pelo núcleo de princípios; e (iii) o núcleo da sustentabilidade composto pelas 4CS, objetivando dar mais consistência às esferas amarela e verde acima, para o acesso à sustentabilidade.

Olhando agora para o núcleo em direção ao exterior, observa-se que um tal programa tem como substância básica alguns princípios fundamentais, calcados em um consenso da ciência. Este, por sua vez, é complementado por um conjunto de ferramentas auxiliares, que utilizadas de forma articulada destinam-se a ligar o núcleo com as macro-normas de acesso à sustentabilidade. Porém, como a sustentabilidade é uma questão complexa e sistêmica, uma empresa sozinha acessar a sustentabilidade - respeitar as 4CS - não é o suficiente, porquanto isso não garantirá que seu empreendimento seja de fato sustentável. Em que pese seu esforço para se adequar às 4CS, especialmente à capacidade de oferta do ecossistema, se os outros que dependem do mesmo recurso não fizerem o mesmo seu esforço terá sido em vão. Portanto, a articulação desse programa não deve ficar restrita à empresa, mas deve ser ampliada para o sistema mais amplo incluindo stakeholders, tais como: fornecedores e cadeia de suprimentos, concorrentes, os setores ou indústrias que dependem também desse recurso; governo e outros atores-chave envolvidos na questão da sustentabilidade.

A maior ou menor proximidade de uma empresa com o núcleo, que é o acesso à sustentabilidade ou seu caráter mais ou menos fundamental, só pode ser determinado por um diagnóstico que investigue quão longe se está do respeito às 4CS. Isso deve ser levado a cabo por pessoas que estejam mais familiarizados com as nuanças de cada uma das condições relacionadas, portanto, especialistas formados em ecologia, biologia, sociologia e psicologia. Por essa razão, deve-se alertar para o caráter puramente ilustrativo da estrutura proposta acima. Cabe ainda observar que a fronteira entre as proposições do núcleo e as do cinturão protetor não é muito nítida. Da mesma forma, qualquer tratamento inteligente do cinturão conector deve considerar não somente o caráter interdependente das ferramentas auxiliares com o núcleo, mas também as características de interconexão que existem entre elas, o que torna as fronteiras ainda menos nítidas. Assim, ao longo do desenvolvimento do programa de acesso à sustentabilidade certas propostas que no princípio eram tidas como secundárias podem eventualmente mostrar-se mais fundamentais sendo priorizadas, ou vice-versa. Uma exemplificação nesse sentido é a integração entre a abordagem denominada Capitalismo Natural (Hawken et al. 1999) e as 4CS.  Enquanto a primeira propõe quatro mudanças ou estratégias interativas e articuladas, a segunda fornece o conteúdo da mudança. Ou seja para onde devemos ir. Vejamos:

1.      A primeira estratégia, promover um “aumento radical na produtividade de recursos”, está totalmente alinhada com os objetivos da ecoeficiência, focado no aumento da ecoeficiência, compreendido como um passo inicial no sentido de mudanças de alcance muito maior;

2.      Explorar as possibilidades do biomimetismo, o que repercute em pesquisas e trabalhos sobre ecologia industrial, com o objetivo de “redesenhar os sistemas industriais sobre linhas biológicas” para possibilitar a “reutilização constante de materiais em ciclos fechados contínuos e freqüentemente a eliminação de toxicidade”;

3.      Estabelecer uma economia de serviço e fluxo através da criação de sistemas que assegurem que os bens circulem ao invés de serem usados e descartados;

4.      Reinvestimento em sistemas ecológicos de forma a assegurar que a sociedade “sustente, restaure e expanda os estoques de capital natural”

Note-se que a quarta estratégia do capitalismo natural extrapola às 4CS, embora tenha uma convergência com a terceira condição sistêmica, regenerando a natureza e dando uma contribuição excedente ao incorporar o aspecto de investimento no capital natural.

Finalmente, a empresa disposta a levar a sério a sustentabilidade pode começar definindo um marco temporal de respeito às 4CS, para depois explorar os pontos 1 e 2 da abordagem acima em uma perspectiva de curto a médio prazo. O próximo passo será investir nos pontos 3 e 4 aumentando sua robustez no longo prazo. A inovação é necessária e agora pode dar grande contribuição nesse sentido.

Referências

BRÜSEKE, Franz J. O Problema do desenvolvimento sustentável, In: Cavalcanti, Clóvis (org) Desenvolvimento e natureza - estudos para uma sociedade sustentável, São Paulo: Cortez, 1995

DALY, H. Crescimento Sustentável? Não obrigado. In: MANDER, Jerry & GOLDSMITH, Edward (eds.). The case against the global economy (and for a turn toward the local). San Francisco: Sierra Club Books, 1996, p. 192-96, sob o título “Sustainable growth? No thank you”.

HAWKEN, P, LOVINS, and L.H. LOVINS (1999) Natural Capitalism: Creating the Next Industrial evolution (New York: Little, Brown).

LOUETTE, Anne. (2008). Compêndio para a Sustentabilidade: ferramentas de gestão de responsabilidade sócio-ambiental. Uma contribuição para o desenvolvimento sustentável. Willis Harman House.

PEARCE, D. Economic Values and the Natural World. (Londres: Earthscan Publications Ltda) 1993.

ROBERT, K.H. The Natural Step - A História de uma Revolução Silenciosa. São Paulo: Cultrix, 2002.

VAN BELLEN, H. M.  Indicadores de Sustentabilidade: Uma Análise Comparativa. 1. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2005.

WAAGE, S. Uma reavaliação dos negócios a partir de uma perspectiva sistêmica. A mudança para empresas e serviços financeiros pautados na sustentabilidade. ANO 5 - Nº 12. São Paulo, 2004.

Estudo de caso Bag for Life

Bag for Life é uma empresa brasileira que integra a preocupação com o Meio Ambiente e o mundo da moda, e assim busca produzir bolsas com design diferenciado utilizando materiais reaproveitáveis e ecofriendly.

Dentre os principais desafios desse setor estão a questão da extração e utilização de materiais e processos menos impactantes ao Meio Ambiente e a questão do consumismo desenfreado que é fortemente estimulado pela moda. Boa parte do foco de fabricação dos produtos são voltados ao atendimento de desejos, ao invés de necessidades. Nesse caso, as perguntas que podem ser formuladas são: quais matérias primas são utilizadas na manufatura? Qual a quantidade de água usada no processo de coloração dos tecidos? Os corantes são tóxicos? Como fica a questão da obsolescência percebida de materiais perfeitamente utilizáveis por um longo tempo? Como empresas lidam com a questão da tendência da “moda rápida” ou vertiginosa velocidade de troca de coleções? Como empresas lidam com os direitos humanos em sua força de trabalho? Como empresas fazem com os resíduos gerados em todas as etapas de sua cadeia produtiva? Finalmente, podemos perguntar ainda as empresas respeitam ou não às 4 Condições Sistêmicas da Sustentabilidade?

O público-alvo da Bag for Life é a classe média alta, e a empresa comercializa seus produtos em um site tri-língue e também em uma loja-conceito situada em um bairro de alto poder aquisitivo de Porto Alegre.

A sustentabilidade é a principal estratégia da empresa para se diferenciar no mercado da moda. Nesse sentido, ao olharmos o caso sob uma perspectiva mais convencional de sustentabilidade fraca; é possível elencar uma série de resultados que empresa apresenta dentro das três dimensões - ambiental, social e econômica.

Ambiental Social Econômico
- Em sua loja, o tipo de detergente (biodegradável) livre de petroquímicos, com ingredientes vegetais, café e espumante orgânicos; a iluminação é feita por LEDs (redução no consumo de energia); materiais gráficos impressos em papel reciclado;

- Bolsas retornáveis com capacidade volumétrica, substituindo sacolinhas plásticas ou de papelão;

- Uso de metais que recebem banho níquel free, anti-alérgico e menos poluente que os demais;

- Uso de matérias-primas ecofriendly como: algodão, couro vegetal (látex natural), fibras de bananeira e tecido de fibras de garrafas PET recicladas;

- Uso de resíduos de outros produtos, tais como: couro proveniente das indústrias calçadistas e moveleiras, lonas de barco e lona vinílica usada em mídia externa;

- Os lucros são reinvestidos em reflorestamento. Ela participa do Programa Carbon Free - a cada bolsa vendida, uma árvore é plantada em Maquiné, para recomposição da Mata Atlântica no estado do RS.

- Parte dos lucros direcionados para apoiar projetos de educação ambiental.

- Ênfase na contratação do trabalho de ateliers de costura e cooperativas de artesãos. Nesse sentido, a empresa utiliza os serviços de uma cooperativa de costureiras - Cooperativa de Costureiras Unida Venceremos - Univens, que é ligada ao movimento Justa Trama - são trabalhadores organizados que fazem parte da rede de economia solidária - movimento mundial que envolve desde plantadores de algodão orgânico do Ceará até lojas na França que vendem somente produtos dessa rede. - Estratégia de enfoque em diferenciação, promessa de design exclusivo, com posicionamento de preços relativamente altos que variam de R$ 170,00 a R$ 500,00.

- Alta margem de lucro considerando-se, por um lado, a redução de custos com a utilização de materiais reciclados e resíduos como insumo de seu processo produtivo e, por outro, boa parte da força de trabalho terceirizada e formada pela cooperativa de artesãos.

- O maior custo pode estar relacionado aos profissionais da moda consagrados em eco-design para desenvolver produtos;

- Redução de custos com a iluminação que é feita por LEDs;

- Um site internacional;

- Publicidade gratuita em função do interesse da mídia, o que reduz a sua necessidade de investimentos em publicidade.

Olhando agora sob uma perspectiva de sustentabilidade forte, vejamos o desempenho da empresa segundo as 4CS da Sustentabilidade:

Condição Sistêmica
1 A empresa sujeita a natureza/atmosfera à concentrações sistematicamente crescentes de substâncias extraídas da crosta terrestre? Sim, no caso do minério níquel. Além disso, não há recuperação e controle desse material dentro de uma abordagem de logística reversa. Por outro lado, a empresa não extrai mais outros tipos de materiais da crosta terrestre ou gera resíduos gasosos a parti deles (fumaça de combustíveis fósseis), reduzindo, assim, os danos à saúde e aos ecossistemas. Uma sugestão interessante para essa empresa, por exemplo, é substituir o níquel por outro material renovável.
2 A empresa sujeita a natureza à concentrações sistematicamente crescentes de substâncias produzidas pela sociedade? Não, pois embora reaproveite e reutilize material químico produzido pelo homem, ela não gera mais substâncias químicas como plásticos e outros resíduos, portanto, não aumentando a quantidade global de resíduos já existentes no planeta, e com isso não interfere mais ainda no ciclo natural de decomposição na natureza.
3 A empresa sujeita a natureza à degradação sistemática crescente por meios físicos? Não, aparentemente, pois sua extração de matéria prima provém em parte de resíduos já existentes, e outra parte, de fontes renováveis que aparentemente não interferem significativamente no meio-ambiente. Seria preciso saber se as taxas de exploração não excedem as taxas de regeneração dos ecossistemas de onde a empresa retira os recursos. Por outro lado, a empresa busca não só preservar os recursos naturais como se propõe a regenerar ecossistemas.
4 A empresa ajuda a satisfazer as necessidades humanas melhorando as maneiras pelas quais se satisfazem as mesmas? E busca atender aos anseios dos clientes usando o mínimo possível de recursos? Sim, a empresa contribui para a satisfação das necessidades fundamentais do ser humano - ao se entender como necessidades de proteção e liberdade, necessidade de mobilidade que todo ser humano tem - pois as pessoas precisam de sacola ou bolsa para guardar e transportar volumes sem que isso prejudique a sua integridade física. E tais produtos são feitos a partir de resíduos reaproveitados, já existentes, para contribuir na diminuição da pressão sobre os recursos a serem extraídos.

Como vimos, aparentemente a empresa possui um bom desempenho nas três últimas condições sistêmicas. Mas sempre é possível aperfeiçoar-se. Nesse sentido, seria oportuno se ela fortalece a primeira condição, mediante a substituição do níquel por algum outro material renovável e não impactante.

Referências

Bag for Life. Site da Empresa: http://www.bagforlife.com.br/. Acesso em 28 de setembro de 2009.


Autor: André Coimbra Felix Cardoso é doutorando da FEA USP, membro do PROGESA-FIA e professor do tema Sustentabilidade para Empresas em diferentes universidades. E-mail: ancfelix@uol.com.br

A questão importante é aquela que a Comissão Brundtland encabeça mas não enfrenta: em que medida nós podemos aliviar a pobreza através do desenvolvimento sem crescimento? Assim, ele precisa ser salvo dessa perdição mesmo que politicamente seja muito difícil admitir que o crescimento, com suas conotações dogmáticas de fim último, deva ser limitado (Daly, 1996).

Concordava-se que o debate sofria com a falta de princípios de sustentabilidade abrangentes, amplamente aceitos e com base científica. O processo teve início em 1989. Um oncologista sueco, Dr. Karl-Henrik Robèrt, trabalhou com outros cientistas para desenvolver um conjunto claramente articulado de princípios básicos de sustentabilidade essenciais e com base científica. Este grupo redigiu um documento consensual que descrevia o conhecimento básico das funções da biosfera e interações humanas relativas à sustentabilidade da vida no planeta. No início da década de 1990 o Dr. Robèrt trabalhou com o físico Dr. John Holmberg para ampliar este trabalho e definir um conjunto de condições do sistema para uma sociedade sustentável, com base nas leis da termodinâmica e ciclos naturais (WAAGE, 2004).

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Desmatamento

setembro 1, 2009 por Stefanie Loureiro  
Arquivado em panorama

Um dos influenciadores para as mudanças climáticas, fruto da ganância e do instinto destrutivo do Homem é o desmatamento. Principalmente por causa da pecuária extensiva e por madeireiros ilegais, a Amazônia vem sendo devastada.

desmatamento_01-06A Amazônia está situada em sua porção centro-norte; é cortada pela linha equatorial e, portanto, compreendida em área de baixas latitudes. Ocupa cerca de 2/5 do continente e mais da metade do Brasil. Inclui nove países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela). A Amazônia brasileira compreende 3.581 km², o que equivale a 42,07% do país. A chamada Amazônia Legal é maior ainda, cobrindo 60% do território em um total de cinco milhões de Km2. Ela abrange os estados do Amazonas, Acre, Amapá, oeste do Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Roraima e Tocantins.
O sistema DETER - Detecção do Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), registrou nos meses de fevereiro, março e abril de 2009, respectivamente, 143 km², 17 km² e 37 km² de desmatamentos por corte raso ou degradação progressiva na Amazônia Legal, totalizando 197 km².

A Mata Atlântica também vem sendo arrasada. Devastação atingiu 102,9 mil hectares entre 2005 e 2008; atualmente restam apenas 11,4% das áreas originais. A taxa de desmatamento da mata atlântica mantém o mesmo ritmo desde 2000. Segundo o atlas dos remanescentes feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela ONG SOS Mata Atlântica, o bioma perdeu 102.938 hectares entre 2005 e 2008, mais de 34 mil hectares por ano.
mata_atlantica_mapa Entre 2000 e 2005, foi registrada a perda de 34.965 hectares anualmente. Os números referem-se a 10 dos 17 Estados onde há mata atlântica.
É uma área pequena (o município de São Paulo, por exemplo, tem 150.900 hectares), mas não para a mata atlântica: o bioma mais explorado do País tem hoje 11,41% dos 131 milhões de hectares que havia quando os portugueses chegaram. É nesse trecho que moram 112 milhões de brasileiros, que dependem dos serviços ambientais fornecidos pela floresta - disponibilidade de água, por exemplo. “Grande parte do que sobrou está em mãos de proprietários particulares e, neste sentido, a participação deles é importante para garantir a manutenção das áreas, especialmente das matas ciliares”, diz Marcia Hirota, coordenadora do atlas. Minas foi o Estado que apresentou a maior área desmatada nos últimos três anos: 32,7 mil ha. Ela se concentra onde a mata atlântica encontra outro bioma tipicamente brasileiro, e ameaçado, o cerrado. O mesmo acontece na Bahia, em terceiro lugar entre os Estados que mais cortaram árvores - segundo o atlas -, os baianos perderam pouco mais de 24 mil ha no período. Tão importante quanto a taxa de desmatamento é a situação do que restou. De acordo com o atlas, dos 233 mil fragmentos florestais com mais de 3 hectares existentes na mata atlântica, só 18,4 mil são maiores que 100 hectares. Ou seja, a maioria é formada por pequenas ilhas isoladas de floresta, muitas vezes completamente desconectadas umas das outras.
A fragmentação funciona como uma implosão: as árvores e os animais que se encontram naquele pedaço cruzam entre si, enfraquecendo a espécie. Além disso, essas “ilhas verdes” ficam mais expostas a pressões ambientais. “A falta de conexão causa sérios problemas, o chamado efeito de borda (agressão por fogo, veneno, sementes de capim, plantas invasoras)”, explica Mário Mantovani, diretor de mobilização da ONG. (O Estado de S. Paulo, maio de 2009)

pantanalUm dos biomas mais importantes do Brasil, o Pantanal também vem sendo arrasado principalmente pela pecuária na região Centro-Oeste do país. É um bioma constituído principalmente por savana estépica alagada em sua maior parte com 250 mil km² de extensão, altitude média de 100 metros, situado no sul de Mato Grosso e no noroeste de Mato Grosso do Sul, além de também englobar o norte do Paraguai e leste da Bolívia (que é chamado de chaco boliviano), considerado pela UNESCO Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. O nome complexo vem do fato de a região ter mais de um Pantanal dentro de si. Em que pese o nome, há um reduzido número de áreas pantanosas na região pantaneira. Com quase 17% da sua vegetação original já transformada, e com uma taxa de devastação média anual de 2,3%, bastarão 45 anos para que tudo desapareça. Ou seja, as belas imagens aéreas pantaneiras poderão estar apenas em arquivos. Enquanto essa segunda área tem aproximadamente 600 mil quilômetros quadrados, a planície pantaneira propriamente dita ocupa 41% de toda a bacia, que se estende também a outros países da América do Sul. “Não adianta apenas olhar para o Pantanal. Nas áreas ao redor, mais altas, estão as nascentes dos rios que correm depois pela planície”, lembra Menezes. Quando se considera toda a área da bacia, a situação chega a ser até pior. O estudo mostrou que 45% da região já sofreu algum tipo de alteração. Além das ameaças futuras, como a de projetos que pretendem levar siderúrgicas para a região, o Pantanal está sendo morto pelas atividades em curso no seu interior.

Todo esse cenário faz parte de um delicado equilíbrio em uma balança que já começa a pender para um dos lados, e não é o mais otimista deles.

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Ígor Stravinski

agosto 24, 2009 por giovanni  
Arquivado em música clássica

Ígor Fiódorovitch Stravinski — em russo: И́горь Фёдорович Страви́нский — (Oranienbaum, 17 de Junho de 1882 – Nova York, 6 de Abril de 1971) foi um compositor, pianista e maestrorusso, considerado por muitos um dos compositores mais importantes e influentes do século XX. Foi o arquétipo do russo cosmopolita, escolhido pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do século. Além do reconhecimento que obteve pelas suas composições, ficou ainda famoso como pianista e maestro, estando nessa condição muitas vezes na estreias das suas obras. stravinsky1

A carreira de compositor de Stravinski foi notável pela sua diversidade estilística. Inicialmente adquiriu fama internacional com três ballets encomendados pelo empresário Sergei Diaghilev e executados pelos Ballets Russes de Diaghilev: L’Oiseau de feu (”O Pássaro de Fogo”) (1910),  Petrushka (1911/1947), e Le Sacre du printemps ( “A Sagração da Primavera” (1913). A Sagração, cuja estreia provocou um motim, transformou o modo de pensamento dos compositores posteriores acerca da estrutura rítmica, e foi largamente responsável pela reputação duradoura de Stravinski enquanto revolucionário musical, forçando as fronteiras do design musical.

Após esta fase inicial russa, Stravinski virou-se para o neoclassicismo na década de 1920. As obras deste período tendem a utilizar as formas musicais tradicionais (concerto grosso, fuga, sinfonia), frequentemente disfarçadas com um veio de emoção intensa sob uma aparência superficial de distanciamento ou austeridade, muitas vezes prestando tributo à música de mestres anteriores, como J.S. Bach e Tchaikovsky.

Nos anos 1950 adoptou os procedimentos do serialismo, utilizando as novas técnicas ao longo dos seus últimos vinte anos. As composições de Stravinski deste período têm pontos em comum com toda a sua produção anterior: energia rítmica, a construção de ideias melódicas desenvolvidas a partir de algumas células de duas ou três notas, e clareza de forma, instrumentação e expressão vocal.

Também publicou vários livros ao logo da sua carreira, quase sempre com a ajuda de um colaborador, por vezes não nomeado. Na sua autobiografia de 1936, Chronicles of My Life, escrita com a ajuda de Walter Nouvel, Stravinski incluiu a sua famosa declaração de que a “música é, pela sua própria natureza, essencialmente impotente para expressar seja o que for.” Com Alexis Roland-Manuel e  Pierre Souvtchinsky escreveu as suas Charles Eliot Norton Lectures (Harvard University,1939–40 ), que foram feitas em francês e mais tarde coligidas sob o título Poétique musicale em 1942 (traduzidas para o inglês em 1947 como Poetics of Music). Muitas entrevistas nas quais o compositor conversou com Robert Craft foram publicadas como Conversations with Igor Stravinsky. Colaboraram ainda em mais cinco volumes adicionais durante a década seguinte.image1

Biografia:

Rússia

Stravinski nasceu em Oranienbaum (renomeada como Lomonosov em 1948), na Rússia, e cresceu em São Petersburgo. A sua infância, como ele recorda na sua autobiografia, foi problemática: “Nunca conheci ninguém que tivesse verdadeira afeição por mim.” O seu pai, Fyodor Stravinski, foi baixo no Teatro Mariinski em São Petersburgo, e o jovem Stravinski começou por ter lições de piano, estudando mais tarde teoria musical e fazendo algumas tentativas de composição. Em 1890, Stravinski viu uma execução do ballet de Tchaikovsky, A Bela Adormecida no Teatro Mariinsky; a execução, o seu primeiro contacto com uma orquestra, fascinou-o. Aos quatorze anos dominava o Concerto para Piano em G menor de Mendelssohn e, no ano seguinte, finalizou uma redução para piano de um dos quartetos de cordas de Alexabnder Glazunov.

Apesar do seu entusiasmo pela música, os seus pais esperavam que se tornasse advogado. Stravinski inscreveu-se para estudar Direito na Universidade de São Petersburgo em 1901, mas essa não era a sua vocação, assistindo a menos de cinquenta aulas em quatro anos. Quando o pai morreu em 1902, Stravinski já tinha começado a dedicar mais tempo aos estudos musicais. Devido ao encesrramento da universidade na Primavera de 1905, no balanço do Domingo Sangrento, Stravinski foi impedido de terminar o curso, e recebeu apenas um diploma de meio-curso, em Abril de 1906. Após essa altura, concentrou-se na música. Por concelho de Nikolai Rimsky-Korsakov, provavelmente o compositor russo mais importante do seu tempo, decidiu não entrar no Conservatório de São Petersburgo; em vez disso, em 1905, começou a ter como tutor privado, duas vezes por semana, Rimsky-Korsakov, que se tornou como um segundo pai para ele.

Em 1905 ficou noivo da sua prima Katerina Nossenko, a qual conhecia desde a tenra infância. Casaram a 23 de Janeiro de 1906, e os seus primeiros dois filhos, Fyodor e Ludmilla, nasceram em 1907 e 1908 respectivamente.

Em 1909, o seu Feu d’artifice (Fogo de artifício), foi executado em São Petersburgo, estando presente Sergei Diaghilev, o director dos Ballets Russes em Paris. Diaghilev ficou impressionado o suficiente para encarregar Stravinski de levar a cabo algumas orquestrações, e compor uma partitura completa de ballet, L’Oiseau de feu (”O Pássaro de Fogo”).

Suíça

Stravinski viajou para Paris em 1910 para assistir à estreia d’ O Pássaro de Fogo. A sua família juntou-se-lhe em breve, decidindo permanecer no Ocidente por algum tempo. Mudou-se para a Suíça, onde viveu até 1920 em Clarens e Lausana. Durante este tempo compôs mais três obras para os Ballets Russes—Petrushka (1911), escrita em Lausana, e Le Sacre du printemps (”A Sagração da Primavera”) (1913) e Pulcinella, ambas escritas em Clarens.

Enquanto os Stravinskis estavam na Suíça, o seu segundo filho, Soulima (que mais tarde se tornaria um compositor menor), nasceu em 1910; e a sua segunda filha, Maria Milena, nasceu em 1913. Durante esta última gravidez, descobriu-se que Katerina tinha tuberculose, e ela foi colocada num sanatório suíço para ficar isolada. Após um breve retorno à Rússia em Julho de 1914 com o fim de recolher material de pesquisa para Les Noces, Stravinski deixou a sua terra natal e retornou à Suíça logo antes do início da I Guerra Mundial ter causado o encerramento das fronteiras. Stravinski não retornaria à Rússia por quase cinquenta anos, sendo um dos poucos representantes da comunidade Ortodoxa Oriental ou Russa vivendo na Suíça nessa altura, e é recordado nessa condição na Suíça até hoje em dia.

Stravinski tinha uma significativa relação artística com o filantropo suíço Wener Reinhart. Aproximou-se de Reinhart para obter assistência financeira quando escrevia Histoire du soldat (A História do Soldado). A primeira execução foi conduzida por Ernest Ansermet a 28 de Septembro de 1918, no Teatro Municipal de Lausana. Werner Reinhart patrocinou-o e subscreveu em grande parte esta execução. Como prova de gratidão, Stravinski dedicou a obra a Reinhart, e inclusivamente ofereceu-lhe o manuscrito original. Reinhart continuou a apoiar o trabalho de Stravinski em 1919, financiando uma série de concertos da sua mais recente música de câmara. Estes incluíam uma suíte de cinco números d’ A História do Soldado, arranjadas para clarinete, violino, e piano - um piscar de olho a Reinhart, que era um excelente clarinetista amador. A suíte foi executada pela primeira vez a 8 de Novembro de 1919, em Lausana, muito antes da suíte mais conhecida para os sete instrumentos originais estar largamente difundida. Como gratidão pelo apoio continuado de Reinhart, Stravinski dedicou a sua Três Peças para Clarinete (composta em Outubro-Novembro de 1918) a Reinhart. Mais tarde Reinhart fundou uma biblioteca musical Stravinskiana na sua casa de Winterthur.

França

Stravinski mudou-se para a França em 1920, onde iniciou uma relação musical e de negócios com o fabricante de pianos francês Pleyel. Pleyel essencialmente actuava como seu agente recolhendo royalties mecânicas pelos seus trabalhos, e em retorno atribuia-lhe um rendimento mensal e um espaço de estúdio no qual ele podia trabalhar e receber amigos e conhecimentos de negócios.stravinsky_igor_1929_by_f_man__germany1

Stravinski também arranjou (e em certa medida recompôs) muitas dos seus trabalhos iniciais para serem usados na Pleyela, a marca de pianolas de Pleyel. Stravinski fe-lo de uma maneira que utilizou ttalmente as 88 notas do piano, não olhando ao número ou envergadura das mãos e dedos humanos. Estes rolos não eram gravados, mas antes marcados a partir de uma combinação de fragmentos de manuscritos e notas escritas à mão pelo músico francês, Jacques Larmanjat (director musical do departamento de rolos de Pleyel). Stravinski mais tarde alegou que a sua intenção era dar aos ouvintes uma versão final das execuções da sua música, mas como os rolos não eram gravações, era difícil avaliar quão eficaz esta intenção poderia ser na prática. Enquanto que muitas dessas obras são agora parte do reportório habitual, naquela altura muitas orquestras achavam a sua música acima das suas capacidades e indecifrável. As composições mais importantes publicadas nos rolos do piano da Pleyela incluiam A Sagração da Primavera, Petrushka, O Pássaro de Fogo, Les Noces e Canção do Rouxinol. Durante os anos 1920 Stravinski também gravou rolos Duo-Art para a Aeolian Company tanto em Londres como em Nova Iorque, dos quais nem todos sobreviveram até aos dias de hoje.

Após uma curta estadia perto de Paris, Stravinski mudou-se com a sua família para o sul da França. Regressou a Paris em 1934, passando a residir na rua Faubourg-St.Honoré. Stravinski recordaria depois esta como a sua última e mais infeliz residência europeia; a tuberculose da sua mulher infectou a sua filha mais velha, Ludmila, e o próprio Stravinski. Ludmila morreu em 1938, e Katerina no ano seguinte. Stravinski passou cinco meses no hospital, durante os quais a sua mãe também morreu.

Embora o seu casamento com Katerina tivesse durado 33 anos, o verdadeiro amor da sua vida, e mais tarde a sua companheira até à sua morte, foi a mulher que se tornou sua segunda mulher, Vera de Bosset(1888-1982). Quando Stravinski conheceu Vera em Paris em Fevereiro de 1921, ela era casada com o desenhador e pintor de cenários Serge Sudeikin, mas rapidamente começaram um affair que a levou a deixar o marido. Desde então até à morte de Katerina por cancro em 1939, Stravinski levou uma vida dupla, passando algum tempo com a sua primeira família e o resto com Vera. Katerina rapidamente soube da relação e aceitou-a como inevitável e permanente.

Durante os últimos anos em Paris, Stravinski desenvolveu relações profissionais com pessoas em lugares chave nos Estados Unidos; Já estava então a trabalhar na sua Sinfonia em C para a Orquestra Sinfónica de Chicago, e concordou em dar conferências em Harvard durante o ano académico de 1939-40. Quando a II Guerra Mundial eclodiu em Setembro de 1939, Stravinski mudou-se para os Estados Unidos. Vera seguiu-o no início do ano seguinte e eles casaram-se em Bedfort, MA, EUA, a 9 de Março de 1940.

Estados Unidos

Stravinski estabeleceu-se na área de Los Angeles (1260 North Wetherly Drive, West Hollywood) onde passou mais tempo como residente que em qualquer outra cidade durante a sua vida. Tornou-se um cidadão naturalizado em 1946. Stravinski tinha-se adaptado à vida em França, mas mudar-se para a América aos 58 anos era uma perspectiva muito diferente. Durante algum tempo, conservou um círculo de amigos e contactos russos emigrés, mas eventualmente descobriu que isto não sustentava a sua vida intelectual e profissional. Foi arrastado para a crescente vida cultural de Los Angeles, especialmente durante a II Guerra Mundial, quando tantos escritores, músicos, compositores, e maestros estabelecidos na área; estes incluíam Otto Klemperer, ThomasMann, Franz Werfel, George Balanchine e Arthur Rubinstein. Vivia relativamente perto de Arnold Schoenberg, embora não tivesse uma relação próxima com ele. Bernard Holland assinala que Stravinski era especialmente apreciador dos escritores britânicos que muitas vezes o visitavam em Beverly Hills, “como W. H. Auden, Christopher Isherwood, Dylan Thomas (que compartilhava o gosto do compositor por pessoas de espírito endurecido) e, especialmente, Aldous Huxley, com o qual Stravinski falava em francês.” Estabeleceu a sua vida em Los Angeles, e por vezes conduziu concertos com a Orquestra Filarmonica de Los Angeles no famoso Hollywood Bowl, e também através dos EUA. Quando planeou escrever uma ópera com W. H. Auden, a necessidade de adquirir maior familiaridade com o mundo anglófono coincidiu com o seu encontro com o maestro e musicólogo Robert Craft. Craft viveu com Stravinski até a morte do compositor, actuando como intérprete, cronista, maestro assistente e factotum em incontáveis tarefas sociais e musicais.untitled2

A 15 de Abril de 1940, o excêntrico sétimo acorde maior de Stravinski no seu arranjo da The Star-Spangled Banner levou à sua prisão pela polícia de Boston por violar a lei federal que proibia a rearmonização do Hino Nacional.

Em 1959, Stravinski recebeu o Sonnig Award, a mais alta honra musical da Dinamarca. Em 1962 aceitou um convite para regressar a Leninegrado (hoje São Petersburgo) para uma série de concertos. Teve uma conversa de mais de duas horas com o líder soviético Nikita Khrushchev, que o instou a retornar à União Soviética. Apesar do convite, Stravinski continuou estabelecido no Ocidente.

Em 1969 mudou-se para Nova York, passando os seus últimos anos na Essex House. Dois anos depois, com a idade de 88 anos, morreu em Nova Iorque e foi enterrado em Venesa na ilha cemitério de San Michele. A sua sepultura está próxima do túmulo do seu colabor de longa data, Sergei  Diaghilev. A vida profissional de Stravinski havia compreeendido a maior parte do século XX, incluindo muitos dos estilos musicais clássicos modernos, e influenciou compositores tanto durante como após a sua vida. Tem uma estrela na Calçada da Fama em 6340 Hollywood Boulevard, e recebeu postumamente o Grammy Award por Lifetime Achievement em 1987.

Personalidade

Stravinski exibiu um desejo inexaurível de explorar e aprender sobre arte, literatura e vida. Este desejo manifestou-se um muitas das suas colaborações em Paris. Não só foi o principal compositor para os Ballets Russes de Sergei Diaghilev, como ainda colaborou com Pablo Picasso, (1920), Jean Cocteau (Oedipus Rex, 1927) e George Balanchine (Apollon musagète, 1928). Os seus gostos em literatura foram vastos, e reflectiram o seu desejo constante por novas descobertas. Os textos e fontes literárias para o seu trabalho começaram com um período de interesse no folclore russo, progredindo para autores clássicos e para a liturgia latina, e continuou para a França contemporânea (André Gide, em Persephone) e eventualmente a literatura inglesa, incluindo Auden, T. S. Eliot e poesia inglesa medieval. No final da sua vida, encenou as escrituras hebraicas em Abraão e Isaac.

Os patronos estavam sempre por perto. No início dos anos 1920, Leopold Stokowski deu apoio regular a Stravinski sob a capa de “benfeitor” usando um pseudónimo. O compositot era também capaz de atrair encomendas: muito do seu trabalho depois d’ O Pássaro de Fogo foi escrito para ocasiões específicas e foi pago generosamente.

Stravinski demonstrou ser adepto de desempenhar o papel de “homem do mundo”, adquirindo um instinto aguçado em matéria de negócios, e parecendo à vontade e confortável em muitas das maiores cidades do mundo. Paris, Venesa,  Berlim, Londres, Amisterdã e Nova York foram todas anfitriãs de aparições bem sucedidas do pianista e maestro. Muitas das pessoas que o conheciam de um modo ligado às suas exibições referiram-no como educado, cortês e atencioso. Por exemplo, Otto Klemperer, que conhecia bem Arnold Schoenberg, disse que sempre tinha achado Stravinski muito cooperativo e fácil de lidar. Ao mesmo tempo, tinha um assinalado desprezo por aqueles que ele percebia como seus inferiores sociais: Robert Craft ficava embaraçado pelo seu hábito de bater num copo com um garfo e chamar à atenção em voz alta em restaurantes.

Embora fosse um notório cortejador (que era tinha rumor de ter affairs com parceiras de alto nível como Coco Chanel, Stravinski era também um homem da família, que dedicava uma quantidade considerável do seu tempo e proveito aos seus filhos e filhas.

Stravinski foi também um membro devoto da Igreja Ortodoxa Russa durante toda a sua vida, comentando certa vez, “A música louva Deus. A música é tão bem ou melhor capaz de louva-Lo que o edifício da igreja e toda a sua decoração; é o maior ornamento da Igreja.”

Veja abaixo o próprio Stravinski conduzindo “O Pássaro de Fogo”:

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Felicidade

agosto 5, 2009 por aurea  
Arquivado em qualidade de vida

O ser humano vive em constante busca pela felicidade, ainda que a sua definição seja um tanto quanto controversa.

O que é felicidade para uma pessoa pode não ser para outra, de modo que há de se considerar o local onde se vive, a época, a cultura predominante, os valores estabelecidos, entre outras questões circunstanciais.

Alguns acreditam que felicidade não existe, pois o que há na vida são momentos felizes. Certamente seria utópico pensarmos em uma vida inteira de felicidade, mesmo que se usufruindo de uma situação abastada, pois os bens materiais não garantem a plena felicidade. Aliás, vemos muitas pessoas com perfeitas condições e oportunidades para serem felizes, porém sem a menor satisfação ou alegria de viver. Da mesma forma, podemos constatar a existência de pessoas de origem humilde, sobrevivendo com o mínimo e que, no entanto, transbordam de alegria pelo simples fato de estarem vivas e em condições de sonhar e lutar por uma vida melhor. Algumas vezes nos chocamos ao conhecermos pessoas que sofrem de algum tipo de deficiência ou alguma doença grave e que, ainda assim, conseguem ser exemplos de força e fé, superando obstáculos inimagináveis.

Algumas religiões defendem que a felicidade não é um objetivo em si, um destino, e sim a viagem, o percurso em busca da mesma. O simples fato de se estar vivo já é um evento feliz, pois encerra em si infinitas possibilidades de buscas e realizações.

Nosso passado, nossa história é naturalmente o alicerce do que construímos no decorrer dos anos. É o pano de fundo do que temos no presente, sem nem mesmo nos darmos conta em alguns momentos. Muitas pessoas vivem de forma infeliz por conta de inúmeras cicatrizes trazidas de outros tempos, como: sentimentos de menos valia, frustrações, mágoas, rejeições e uma série de episódios desastrosos.

É importante pararmos e refletirmos sobre nossas experiências vividas, entendendo que o mais significativo não é o que de fato nos aconteceu, mas sim o que fizemos com o que nos aconteceu. Tudo passa pela nossa leitura interior sobre a realidade que nos cerca. Um mesmo episódio tem peso diferente para as pessoas, já que cada um enxerga pela sua ótica, reagindo diferentemente aos fatos. A forma como reagimos está no nosso campo de decisão, enquanto que as situações passadas estavam na maioria das vezes fora do nosso controle.

Alguns conseguem a façanha de não permitir que certos fatos passados interfiram no presente, de forma a comprometer a qualidade vida, o que certamente não é o caso da maioria. O mais comum é notarmos que as pessoas sofrem pelo simples fato de não terem tido a oportunidade de aprenderem a gostar de si mesmas. Quem de nós teve o privilégio de ter uma educação que envolvesse questões voltadas para a auto-estima e a possibilidade de se enxergar como alguém capaz de se aceitar com seus pontos fortes e fracos. Ninguém nos ensinou a gostar de nós mesmos, e isso gera nas pessoas uma ausência de si mesmas e a necessidade de buscar no outro a satisfação de seus desejos e necessidades.

Acabamos colocando sobre os ombros do outro a responsabilidade por nos fazerem felizes, muitas vezes massacrando e torturando o outro, o que é completamente injusto. Isso quando não buscamos a compensação na comida, em vícios ou coisas parecidas. É como se houvesse um grande vazio interior a ser preenchido, algo que grita e busca desesperadamente pela completude.

A velha crença que diz a respeito de buscarmos no outro “a metade da laranja” já traz a conotação negativa de que não somos inteiros, pois valemos metade, e que sempre dependeremos de alguém que nos complete. O correto seria termos duas pessoas inteiras, convivendo e usufruindo do prazer da companhia do outro, sem qualquer tipo de dependência.

Buscar na vida a dois, no casamento, uma correção de rota para a própria vida é um grande erro, pois nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos, já que ambos partem para o relacionamento com várias expectativas que nem sempre o outro tem conhecimento. E o que acontece quando temos expectativas não atendidas? Os sonhos se desmoronam e o que deveria ser uma doce experiência de compartilhar momentos, torna-se um pesadelo cheio de dores, mágoas e decepções.

Fritz Perls escreveu a Oração da Gestalt, que de forma simples e objetiva nos mostra como seria mais fácil viver se a praticássemos:

“Eu sou eu. Você é você. Eu faço as minhas coisas e você faz as suas. Eu não vim a este mundo para viver de acordo com as suas expectativas e você não veio para viver de acordo com as minhas. Se por acaso nos encontrarmos, será lindo. Se não, nada há a fazer.”

Na medida em que se tem na infância um ambiente familiar com falta de apoio e da sensação de ser querido, somado a situações de constrangimentos na vida escolar (o que é bastante comum) temos o cenário perfeito para o desenvolvimento de uma pessoa com baixa auto-estima. Isso geralmente leva a um sofrimento interior bem intenso e que, muitas vezes, nem se tem consciência. Como resultado, a pessoa não se sente bem consigo mesma, culpa-se com muita freqüência, apresenta dificuldades de relacionamento e sofre com pequenas coisas que não deveria se importar, pois tornou-se sensível a tudo que possa desqualificá-la mais do que já se sente inferiorizada. Ou seja, a vida vira um verdadeiro inferno, pois os sentimentos negativos acabam predominando e trazendo a “comprovação” da incapacidade de construir a própria felicidade.

Chatear-se porque alguém não gostou de algo que fizemos ou dissemos é normal, pois é muito mais prazeroso viver de forma harmoniosa com os que nos cercam. Porém, infelizmente é impossível agradarmos a todos o tempo inteiro. Viver em função de agradar o outro para sentir-se aprovado e querido é algo bastante perigoso, pois nem sempre o que agrada a um agrada ao outro. E, o pior, ficar na expectativa de aprovação alheia para nos sentirmos bem é bem delicado, pois nem sempre o outro aprova ou demonstra que aprova nossas ações. Esse tipo de atitude pode trazer sofrimento exatamente pelo fato de deixarmos nas mãos do outro a responsabilidade por nos fazer felizes, e também por nos colocarmos em segundo plano, não considerando o que de fato gostaríamos de fazer, e sim o que seria bom fazer para contentar o outro.

Em síntese, entendo que a felicidade está no simples fato de nos amarmos, para depois amarmos os outros. Entender a vida como uma grande oportunidade de construir e de ser útil à humanidade é algo espetacular. E isso torna-se mais fácil quando aceitamos que somos seres imperfeitos, mas que mesmo assim podemos nos sentir dignos de nos amar e sermos amados. Somos todos como estrelas que brilham no céu. Uns parecem brilhar mais que os outros, porém o que ocorre é que todos brilham igualmente. A diferença está apenas na distância existente entre nós e que nos traz a ilusão de brilho maior ou menor.

Por Aurea Magalhães

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Por que não 44?

agosto 4, 2009 por coordenador  
Arquivado em qualidade de vida

Meus queridos, estava eu exercendo meu hábito de ler o jornal Folha de São Paulo no banho e me deparei com uma entrevista que me chamou a atenção e decidi compartilhar com todos vocês sobre meus devaneios sobre a matéria.

A bem da verdade não foi nem tanto o assunto da entrevista em si que me fez refletir sobre nossas vidas, em especial como as tratamos no que tange à nossa capacidade de atuar frente às nossas obrigações.

Dessa forma, a pergunta que retumbou em meu cerebelo foi: por que não somos mais eficientes?

Pois bem, perdoem-me pela digressão, irei ao assunto: trata-se da entrevista de hoje, 03 de agosto de 2009 com Gérard Saillant, presidente da Comissão Médica da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que relatou suas impressões acerca do acidente ocorrido com o piloto brasileiro Felipe Massa na Hungria no último dia 25 de julho, que apresentou assombrosa semelhança daquele que ceifou a vida de um dos poucos heróis nacionais que temos: Ayrton Senna da Silva.

Não caros leitores, não refletirei sobre a efemeridade de nossas vidas, o impacto das casualidades em nossas certezas ou algo parecido. Na verdade a entrevista foi bem previsível em se tratando de uma autoridade do automobilismo internacional relacionada à segurança dos pilotos, falando sobre o seu próprio pescoço.

Bem no final de um bate-papo sobre as primeiras (e trágicas) sensações após o acidente, a evolução da segurança nas pistas, a bajulação para com seu chefe começou uma conversa sobre os atletas que ele, enquanto médico, ajudou em suas recuperações.

Então, veio a epifania: ele relatou sobre sua experiência com o heptacampeão da Fórmula 1, Michael Schumacher, quando de sua recuperação de um acidente que sofreu no ano de 1999 em Silverstone, no qual teve suas duas pernas quebradas. Assim, foi dito pelo médico francês: “Ele é bem diferente porque é um ótimo paciente, mas ele quer saber o porquê de tudo. Você fala para ele andar por 45 dias e ele pergunta, por que 45 e não 44?…”

Será que essa é a essência de um campeão? Questionar o que está ao seu redor, ter uma visão crítica sobre o que lhe cerca, saber opinar sobre o que é bom e o que é certo? Buscar extrair o máximo de conhecimento de pessoas que versam sobre a matéria e pensar sobre a mesma, aprimorando-se.

Penso que nessa breve intimidade de um dos maiores campeões da história do esporte temos um lampejo de sua grandiosidade enquanto profissional, enquanto vencedor.

Os maiores não são obedientes como o gado, cujo final que lhe é reservado reside em nosso prato, mas sim tem o espírito livre, contestador, caótico para que em sua entropia busque se reinventar, se recriar, em uma desordem coesa, obstinada, determinada, fria, objetiva.

Quantas vezes em nossas vidas buscamos entender as razões das coisas, buscamos verificar que os elementos possuem razões, mesmo que não a compreendamos por completo. Assim como para o nosso heptacampeão por mais que o seu famoso médico se esforçasse para lhe apresentar silabicamente os fundamentos boticários de sua decisão, este não o compreenderia em sua plenitude, encontramos inúmeros paralelos em nossos cotidianos.

Em nossa existência, não podemos ter a pretensão de entender por completo o que nos cerca. Porém, vejo que o truque existencial que involuntariamente Schummy nos passou é o de que temos que ser curiosos e críticos em relação ao que está ao nosso redor, ainda que devamos ter a humildade de acreditar nas autoridades no assunto, essencialmente quando se trata de uma temática longe de nossa compreensão, como os meandros da Medicina. Será que é assim que se forma um campeão?

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Desastres naturais

julho 29, 2009 por Stefanie Loureiro  
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                Faz parte do funcionamento da Terra fenômenos naturais, que vem se tornando mais frequentes e intensos, como furacões, enchentes, secas e terremotos. São comuns as notícias sobre milhares de mortos e desabrigados nessas catástrofes.
                Epicentro e hipocentroUm terremoto acontece geralmente em locais onde há o encontro de placas tectônicas, no interior da crosta. Chama-se hipocentro o local onde ocorre a fissura das placas. E chama-se epicentro o local na superfície da crosta (mais próximo do hipocentro) onde são sentidos os tremores.
                Em 6 de abril de 2009 ocorreu na cidade de Áquila (Itália) um terremoto de 6,3 graus na escala Richter, segundo o  Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), deixando 289 mortos e mais de 100 mil desabrigados. Milhares de monumentos e prédios históricos ficaram completamente destruídos. O Primeiro Ministro, Silvio Berlusconi, chegou a decretar estado de emergência no país.
                Em abril de 2008 os paulistanos sentiram um tremor que teve seu epicentro a alguns quilômetros da costa brasileira, chegando a alcançar a 5,2º na Escala Richter, mesmo o Brasil não estar localizado em qualquer encontro de placas. O tremor aconteceu porque a placa Sul-Americana, na qual o Brasil está, é comprimida pela Placa de Nazca e pela Africana e essa pressão acaba causando fissuras na placa. Esses tremores passarão a ser cada vez mais frequentes já que as placas tectônicas estão ficando menos maleáveis, ou seja, é como se estivesse acabando a “vida útil” delas.

Formação da tsunamiUm tsunami é uma onda que se forma após um maremoto (terremoto na plataforma oceânica), uma erupção de um vulcão submerso. A coluna de água deslocada, que fica em cima do epicentro, é tão grande que a oscilação da água é muito intensa e adquire uma grande velocidade. Enquanto isso acontece, o mar na praia recua em muitos metros, para ocupar a porção de água erguida pela pressão das ondas sísmicas. As ondas quebram quando encontram um lugar mais raso do que seu local de origem. Já que a tsunami é uma onde gigante, esse local raso deverá seu proporcional ao seu tamanho, quebrando no continente.
                Em dezembro de 2004 aconteceu no oceano Índico um tsunami inundou várias ilhas da região. Na escala Richter o tremor que originou a onda gigante, de aproximadamente dez metros de altura, foi de 9º na Escala Richter, sendo então o maior já registrado. O número de vítimas, que era de aproximadamente 150.000, elevou-se para 220.000 quando o governo da Indonésia suspendeu as buscas por 70.000 desaparecidos e os incluiu no saldo de vítimas fatais do desastre. O número de desabrigados foi cerca de 1,5 milhão de pessoas.

tsunami-indonésia

Os vulcões originam-se tanto no encontro das placas tectônicas quanto no interior delas. Eles entram em erupção quando a pressão dentro da crosta exercida pelo magma, que está em constante movimento, é maior do que a pressão externa.
               Em 1985 na Colômbia, vinte e três mil pessoas morreram na erupção do vulcão Nevado Del Ruiz. As autoridades sabiam da tragédia dois meses antes de acontecer, porém durante esse tempo ficaram discutindo se a evacuação da cidade de Armero era federal, estadual ou municipal. A neve que estava ao redor derreteu provocando uma avalanche de 3,5 metros de altura soterrando completamente o vale onde estava localizada a cidade.
                A maior erupção da história ocorreu em 1815 na Indonésia com o vulcão Tambora. O número de mortos chegou a 92 mil, sendo que dez mil morreram no momento da erupção e os outros 82 mil morreram de fome após a desgraça. Foi possível ouvir o barulho da erupção a 1.600km de distância do local.    

Os furacões são fenômenos climáticos (ciclones) caracterizados pela formação de um sistema de baixa-pressão. Formam-se, geralmente, em regiões tropicais do planeta. São eles os responsáveis pelo transporte do calor da região equatorial para as latitudes mais altas.
               Katrina Em agosto de 2005 o furacão Katrina arrasou a cidade de Nova Orleans (EUA) inundando cerca de 80% do seu território. O número de mortos foi maior que mil, pelo menos 253.000 pessoas estão em alojamentos em 18 estados e Washington, segundo o departamento de Segurança Interna. Mas os relatórios são divergentes: apenas o estado da Louisiana afirma ter 110.000 pessoas desabrigadas.  Mais de um milhão de habitantes da Louisiana podem ter sido desabrigados pela tragédia. 400.000 famílias se apresentaram à Agência Federal de socorro de emergência para exigir assistência, informou nesta quinta-feira o presidente George W. Bush. (UOL, setembro de 2005). A tempestade deve ser a catástrofe natural mais cara da história dos EUA, com os danos estimados entre US$ 100 bilhões e US$ 200 bilhões. Foi o maior desastre dos EUA nos últimos 100 anos (VEJA, agosto de 2005). 

Intensificadas pela ação do Homem, as enchentes são muito comuns nas grandes cidades devido ao acúmulo de lixo nos esgotos, à diminuição da capacidade de absorção de água da terra por causa do asfalto, entre outros fatores. Além de mortos, desabrigados, as enchentes aumentam o número de pessoas infectadas por doenças como leptospirose, hepatite e gripe.
                Em novembro de 2008, cerca de 60 cidades e 1,5 milhão de pessoas de Santa Catarina foram afetadas houve uma das maiores enchentes da história do Brasil.  O número de mortos foi de 135, 19 desaparecidos, em todo o Estado são mais de 78 mil desabrigados ou desalojados.
São 27.410 desabrigados - pessoas que tiveram que sair de suas casas e precisam da ajuda do Estado. Os desalojados chegam a 51.297 - são pessoas que foram obrigadas a sair de suas casas por conta dos danos das chuvas, mas que podem ir para casas de parentes ou amigos. (O Estado de S. Paulo, novembro de 2008)Enchente Santa Catarina
                
 No dia 25 de novembro o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing, declarou estado de calamidade pública. Um dos lugares mais afetados foi o Vale do Itajaí, onde o nível da água chegou a subir mais de 11 metros acima do normal. Os
terrenos que receberam chuva equivalente a mil litros de água por m², vão demorar pelo menos seis meses para se estabilizar. Enquanto isso, o
solo permanecerá instável e sujeito a novos deslizamentos.
                O Governo brasileiro liberou cerca R$1,6 bilhão para atender os lugares afetados pelas enchentes. A Embaixada Americana, em São Paulo, mandou U$ 50 mil, sendo esse
dinheiro será destinado à compra de suprimentos de emergência e à prestação de auxílio em reparos básicos nas residências das famílias mais atingidas. O governo alemão doou 
200 mil às vítimas. O Ministério das Relações Exteriores do país informou que, os recursos serão destinados para a compra de barracas, alimentos, colchões, cobertores e água potável. Várias empresas e cidadãos do país mandaram alimentos, roupas e cobertores para o Santa Catarina, porém grande parte das doações foi desviada e nunca chegou aos necessitados.
                Desgraça semelhante aconteceu em maio de 2009, no Nordeste, onde milhares de pessoas perderam suas casas por causa das chuvas, intesificadas por causa do fenômeno La Niña. Até junho o número de mortos era igual a 44. O Maranhão é o Estado mais com o maior número de municípios atingidos, com 95. Quase metade dos municípios maranhenses decretaram estado de emergência e, segundo dados de algumas Secretarias de Saúde Municipais, o número de doenças relacionadas às enchentes triplicou em alguns casos. Até o vigésimo primeiro dia de chuvas, o estado só havia recebido duas cestas básicas. De acordo com o superintendente de Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria de Saúde Estadual, Henrique dos Santos, já foram confirmados casos de pessoas com leptospirose, hepatite A, dermatoses, diarreia, gripe, amigdalite e conjuntivite (O Estado de S. Paulo, junho de 2009).
                Mas infelizmente não vemos uma mobilização social como a de Santa Catarina, ou grande atenção da mídia como no acidente com o avião da Air France, ocorrido em junho do mesmo ano.

 SecaA seca sempre fez parte do cenário brasileiro, que pode ser explicado pelo relevo brasileiro e por massas de ar. No Nordeste, de acordo com registros históricos, o fenômeno aparece com intervalos próximos a dez anos, podendo se prolongar por períodos de três, quatro e, excepcionalmente, até cinco anos. As secas são conhecidas, no Brasil, desde o século XVI. A seca se manifesta com intensidades diferentes. Depende do índice de precipitações pluviométricas. Quando há uma deficiência acentuada na quantidade de chuvas no ano, inferior ao mínimo do que necessitam as plantações, a seca é absoluta. Em outros casos, quando as chuvas são suficientes apenas para cobrir de folhas a caatinga e acumular um pouco de água nos barreiros e açudes, mas não permitem o desenvolvimento normal dos plantios agrícolas, dá-se a seca verde.
                Essas variações climáticas prejudicam o crescimento das plantações e acabam provocando um sério problema social, uma vez que expressivo contingente de pessoas que habita a região vive, verdadeiramente, em situação de extrema pobreza.
                A seca é o resultado da interação de vários fatores, alguns externos à região (como o processo de circulação dos ventos e as correntes marinhas, que se relacionam com o movimento atmosférico, impedindo a formação de chuvas em determinados locais), e de outros internos (como a vegetação pouco robusta, a topografia e a alta refletividade do solo).  ( Segundo a Fundação Joaquim Nabuco).
O desmatamento na região da Zona da Mata também contribui para o aumento da temperatura na região do sertão nordestino. Segundo o climatólogo do INPE (Instituo Nacional de Pesquisa Espacial) o que estamos observando nos últimos anos no Brasil é um padrão de secas e chuvas mais intensas.
              Por outro lado, esquece-se que o solo do nordeste é fértil (por causa de sua profundidade), mas por causa da seca e da falta de acesso à tecnologia, não é possível fazer uso dessa terra. Mesmo porque, o que prometeriam os políticos em seus discursos eleitoreiros se a seca e a fome fossem resolvidas?

Enquanto alguns desastres naturais podem ser amenizados, outros não podem ser impedidos. O Homem tem que aprendar a se proteger desses fenômenos e também se lembrar que o agravamento deles deve-se em grande parte à ação da sociedade humana.

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Qual a sua missão ?

julho 24, 2009 por aurea  
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Dimensionar o número de oportunidades que surgem no decorrer da vida de alguém é algo impossível.  A todo momento estamos diante de uma encruzilhada que nos cobra uma decisão, uma escolha, em todos os setores da vida.

É muito comum os pais usarem do poder de influência que possuem sobre os filhos para direcioná-los em suas escolhas. Normalmente, e até bem intencionadamente, o pai ou a mãe tentam conduzir as coisas de tal forma que a vida de seus filhos seja exatamente do jeito que muitas vezes sonharam para si, mas não puderam realizar.

Idealizam um caminho para um futuro que não necessariamente tem a ver com o desejo ou o talento que o filho possui.  E, o que é pior, é que muito frequentemente não esperam nem a manifestação natural dos talentos para iniciarem a indução de uma carreira que, muito provavelmente, já se inicia fadada ao insucesso.  Infelizmente, grandes conflitos são gerados pelo fato de os desejos não coincidirem. É como se eles decidissem passar a própria vida a limpo através da vida dos filhos, tornando-os pessoas infelizes e frustradas.

Ainda que nada disso aconteça, algo que dificulta uma escolha acertada é termos de tomar essa decisão ainda bastante jovens. Muitos profissionais acabam por mudar o rumo de suas carreiras, de forma radical, após alcançarem a maturidade e descobrirem que de fato não estão realizados com o que fazem.

Trabalhar, dedicando tempo e energia ao que não nos acrescenta e não nos dá prazer, torna a vida um pesadelo e é, geralmente, a causa de vermos profissionais apáticos e infelizes.

Por essa razão é que vemos hoje tantas pessoas buscando aconselhamento de carreira, programas de coaching ou coisas parecidas.

A base desse tipo de trabalho é identificar logo de início qual a missão de vida da pessoa, ou seja, levá-la à reflexão para que ela possa definir com clareza porque está nesse planeta.

Buscar a resposta para esta pergunta é algo que exige um mergulho profundo em si mesmo, de forma a vasculhar o verdadeiro sentido da vida. De nada adianta ter um excelente cargo numa grande empresa, gozar de status e um excelente salário, se no final das contas não nos realizamos com o que fazemos.

O processo de autoconhecimento requer força de vontade, disciplina e muita coragem que, certamente, resulta na grande recompensa de encontrar a própria felicidade.

Há empresas especializadas nesse tipo de trabalho, que utilizam técnicas e ferramentas já testadas e aprovadas em várias partes do mundo. O coach, ou o profissional capacitado para auxiliar a pessoa a encontrar o próprio caminho, são especialistas que acompanham e assessoram seus clientes na tarefa de se encontrarem não só profissionalmente, mas na vida de um modo geral.

O coach não dirá à pessoa o que ela deve fazer, mas contribuirá para que ela descubra o que de fato é melhor. Ele não tem as respostas, mas tem as melhores perguntas. E são exatamente essas perguntas que abrirão os horizontes para novas possibilidades, ou reorganização das já existentes.

Tomar decisões precipitadas pode resolver o desgaste gerado pela ansiedade de se ter algo indefinido, porém não necessariamente é a melhor forma de resolver as coisas. Pesquisar, avaliar e planejar requer tempo mas é, com certeza, a maneira mais interessante de se chegar a bons resultados.

“Quanto mais você suar na preparação, menos vai sangrar na batalha. A vontade de se preparar tem que ser maior do que a vontade de vencer.” - Vince Lombardi.

Há um livro que pode ser útil neste assunto, chamado “Líder do Futuro”, de Arthur Diniz - www.crescimentum.com.br

Por Aurea Magalhães

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Relaxamento

julho 23, 2009 por aurea  
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O Relaxamento é um sistema de cura que pode ser usado para aliviar ansiedades e frustrações - as pressões que tão frequentemente provocam a estagnação das nossas energias. Através do relaxamento profundo purificamos nossas energias interiores.

Quando aprendemos a relaxar o corpo, a respiração e a mente, o corpo torna-se saudável, a mente torna-se clara e a nossa percepção torna-se equilibrada.

Determinadas condições favorecem o relaxamento, principalmente no início do aprendizado, para aliviar a mente de tudo que produz tensão emocional. Um ambiente tranquilo, pouca luz, uma posição confortável, música suave, telefone fora do gancho, celular desligado, um bilhete na porta pedindo para não ser interrompido, são coisas que contribuem para um bom relaxamento.

Sente-se ou deite-se (veja o que é melhor), respire profundamente dez ou quinze vezes e relaxe, lenta e completamente, todo o seu corpo. Esqueça os problemas e o mundo lá fora.  Deixe tudo do lado de fora da porta.  Relaxe os olhos e deixe a sua boca entreaberta para facilitar a respiração.  Solte os braços e pernas completamente.  Espere um pouco e sinta todo o corpo, desde a ponta dos dedos dos pés, até o topo da cabeça.  Sinta o bater de seu coração.

Devagar, bem devagar, vá movimentando calmamente os dedos dos pés. Sinta-os e respire livremente.  Em seguida, mova lentamente os pés, os tornozelos, em movimentos circulares para os dois lados.  Agora sinta as suas pernas, contraindo e relaxando a musculatura: contraia… relaxe… várias vezes, sem pressa.  Sempre respirando calmamente, continue relaxando agora os dedos das mãos, movimentando-os lentamente.  Abra e feche suas mãos.  Gire bem devagar os pulsos, nos dois sentidos.  Preste atenção na musculatura dos braços e faça o mesmo que fez com as pernas: contraia e relaxe os músculos, várias vezes.  Continue respirando tranquilamente e, desta forma, movimente a barriga e o peito com a sua respiração mais profunda, soltando tudo o que estava amarrado.  Movimente, agora, bem lentamente, o seu pescoço, de um lado para o outro.  Com pequenas caretas, massageie os músculos da face, abrindo e fechando a boca, sem pressa.  Se você erguer as sobrancelhas poderá massagear o couro cabeludo.

Neste momento, perceba todo o seu corpo. Observe como ele está mais solto, leve, tranquilo. Sinta a energia circular pela sua corrente sanguínea. Note como a paz tomou conta de você e usufrua dela.

Fique por alguns instantes assim, só prestando atenção nesta sensação gostosa de paz que te envolve, nesta quietude que te faz muito bem.

Agora, imagine que você está só, ao ar livre, num lugar muito bonito. Observe ao redor, sem pressa: como é este lugar?  Que cores ele tem?  Você sente algum cheiro?  E a temperatura, como está?  Há algum ruído?  Sinta a paz deste lugar, ficando em sintonia com este ambiente harmonioso.

Traga para você esta sensação gostosa que o lugar propicia.

Devagar, bem devagar, vá saindo de lá e retornando a sua atenção para o seu ambiente. Comece a sentir de novo cada parte do seu corpo. Movimente lentamente os dedos dos pés; gire os tornozelos; sinta a musculatura das pernas, contraindo-a. Mexa devagar os dedos das mãos, abra e feche as mãos; gire os pulsos; contraia e relaxe os músculos dos braços.  Com a sua respiração mais profunda, movimente o peito e a barriga.  Passe para o pescoço, girando-o de um lado para o outro, devagar.  Fazendo caretas, massageie os músculos da face. Levantando as sobrancelhas, movimente o couro cabeludo.  Respire profundamente umas dez vezes.  Aos poucos, comece a voltar sua atenção para o local onde está.  Quando sentir vontade, abra os seus olhos. Se quiser levante-se e caminhe devagar, espreguice-se, boceje. Preste atenção em como o seu corpo está e o que você está sentindo.

OBS: como sugestão, pode-se gravar as instruções do relaxamento, com músicas suaves de sua preferência, ao fundo. Para permanecer por mais tempo em relaxamento, pode-se, antes de começar a movimentar as partes do corpo pela segunda vez, gravar a leitura de algum texto com mensagens positivas.

Por Aurea Magalhães

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Qualidade de vida

julho 22, 2009 por aurea  
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Diante das pressões que se vive no mundo atual, o estresse ocupa um lugar de destaque, já que somos tão exigidos em termos de desempenho e resultados. E essas exigências manifestam-se de várias formas, atingindo desde o executivo até a dona de casa que, muitas vezes, além de mãe e esposa é também uma profissional que auxilia no orçamento doméstico.

Além de todas as tarefas que precisamos assumir há hoje uma demanda intensa no que tange à qualidade de vida, o que quer dizer que não só precisamos dar conta de todas as responsabilidades, como também é fundamental que estejamos atentos à nossa saúde física, mental, emocional e espiritual.

Para nos dividirmos entre tantos papéis e obrigações é necessário que tenhamos um bom planejamento e bastante equilíbrio para não sucumbirmos à pressão. A disciplina, além do planejamento, é importante neste cenário para que nada de importante seja relegado a um segundo plano, pois crises podem ser instaladas a partir do momento em que descuidamos de algum aspecto que, por mais sem importância que possa parecer, traz impacto ao todo. Portanto, cabe refletir sobre o que é importante e o que é urgente em nossas vidas, antes de decidirmos quanto tempo dedicar a cada atividade.

Infelizmente, existe a tendência a se dar ênfase à vida profissional (não que não seja importante), já que ela suporta financeiramente as nossas atividades e os compromissos que devemos honrar. No entanto, para estarmos bem no âmbito profissional é necessário considerarmos também o aspecto dos relacionamentos pessoais, além de ter a saúde em dia. Ainda que fosse interessante, não nos é possível desvincular todos esses papéis, de modo que um impacta no outro, gerando muitas vezes um estresse ainda maior. Desta forma, é comum vermos pessoas sofrendo devido ao fato de não conseguirem ser “malabaristas” no gerenciamento de tantas responsabilidades.

qualidadedevida1Deixar a saúde (em seus vários aspectos) em segundo ou terceiro plano implica muitas vezes na queda do rendimento profissional e, insistir em adiar uma visita ao médico, por exemplo, pode significar um afastamento do trabalho, pelo agravamento de alguma questão. Ou seja, se exagerarmos na ênfase dada ao trabalho a ponto de negligenciarmos a saúde, podemos deixar de ser o grande profissional que desejávamos ser, pois não teremos estrutura para manter uma boa performance.

Por isso, tantas empresas vêm implementando programas de qualidade de vida, estimulando seus colaboradores a considerarem a saúde de forma multifacetada, para garantir a continuidade e qualidade da atuação. Naturalmente, isso é interessante para as empresas, pois se reflete diretamente em redução do absenteísmo, afastamentos por motivos de saúde, presenteísmo, rotatividade, clima interno, imagem no mercado e, consequentemente, nos resultados.

Olhar o homem como um ser integral é a premissa para essa postura, fazendo-nos rever nossos hábitos e estilo de vida. Sem focarmos com a devida atenção a forma como conduzimos a vida, torna-se impossível alcançar um nível satisfatório. E isso, naturalmente, se faz não só pela tomada de consciência, mas também pelas atitudes que mudam nossos comportamentos.

Por Aurea Magalhães


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