Homens
Vítimas do desemprego, miéria, abusos e ameaças, físicas e à integridade

A taxa nacional de homicídios, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),é de 27 por cem mil habitantes, um número expressivo se comparado aos registrados em países desenvolvidos. No Japão, por exemplo, a relação é de um para cem mil, enquanto no Canadá chega a dois e, nos Estados Unidos, a oito.
Esse cenário nos mostra uma alta taxa de mortalidade de homens jovens quando se compara às mulheres, dando um panorama de insegurança. Isso faz com que a sociedade tenha um rastro de famílias sem pais para garantir seu sustento, para protegê-las do mundo que as cerca e sem poder ensinar seus filhos a serem pessoas fortes, honrados, conscientes e capazes de enfrentar os desafios de uma vida. A violência atinge a todos, mas especialmente aos homens, que estão na linha de frente desse combate.
De fato, os números são bastante significativos, segundo estudo que acaba de ser concluído por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): em 2004, o custo da violência foi de R$ 92,2 bilhões. E mais: o valor total equivaleu a 5,09% do Produto Interno Bruto (PIB),ou a R$ 519,40 per capita.
Em 2006, segundo a Secretaria Nacional de Segurança Publica, foram registrados 6,7 milhões de crimes no País. A partir dos cálculos realizados para sua pesquisa, o Ipea concluiu que outros 17,2 milhões não foram notificados,chegando a um resultado alarmante de 24 milhões de crimes no Brasil, quase quatro vezes mais do que o notificado.
Os números do trabalho do sociólogo Gláucio Soares também são impactantes: para cada vítima de morte violenta, calcula-se entre quatro e dez vítimas ocultas (familiares mais próximos e parentes não primários). Nos últimos oito anos, concluiu-se que houve meio milhão de vítimas da violência no Brasil, o que, multiplicado por uma média de seis pessoas que sofrem reflexos, gerou algo entre três e quatro milhões de vítimas ocultas.
Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde – Ministério da Saúde – em seu estudo Saúde Brasil 2007 (Uma Análise da Situação da Saúde - 06/11/08), temos os seguintes elementos importantes que retratam a realidade da mortalidade de homens espalhados pelo Brasil:
- Entre 1980 e 2005, a proporção de mortes por câncer nos homens aumentou em 76%, as causas violentas em 41% e os transtornos mentais em 225%;
- A taxa de Mortalidade por homicídio nos homens é 11,6 vezes maior nos homens em relação as mulheres. A taxa nos homens é de 47,5 por 100 mil e nas mulheres é de 4,1;
- O maior risco de morte por homicídios está concentrado nos homens, adolescentes e adultos jovens, negros e residentes em grandes centros urbanos.
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